Etanol e açúcar encerram outubro em alta no mercado paulista
Chuvas limitam produção nas usinas e dólar sustenta valorização do cristal
Os preços do etanol e do açúcar cristal fecharam outubro em alta no mercado paulista, em um cenário marcado por restrições na oferta, interrupções na moagem e valorização do dólar. Dados do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada, o Cepea, mostram avanço dos indicadores ao longo do mês.
Nas semanas cheias de outubro, o etanol hidratado registrou preço médio de R$ 2,7200 por litro, aumento de 7,9% em relação a setembro. No mercado spot, o anidro alcançou média de R$ 3,2326 por litro, com valorização de 11,52% no mesmo período.
Segundo pesquisadores do Cepea, a alta foi sustentada pelo aquecimento da demanda e pela redução da disponibilidade do biocombustível. As chuvas frequentes diminuíram os dias efetivos de produção e afetaram os estoques, além de provocar sucessivas interrupções na moagem das unidades industriais.
O movimento também apareceu nas vendas das usinas paulistas. O volume comercializado de etanol hidratado avançou 30,8% entre setembro e outubro e superou 380 milhões de litros, maior quantidade registrada desde janeiro de 2024. No caso do anidro, considerando apenas o mercado spot, houve queda de 10,5% no período.
Dólar amplia valorização do açúcar cristal
No mercado de açúcar, a valorização ganhou força na última semana de outubro. De acordo com o Cepea, o avanço do dólar frente ao real aumentou a sustentação dos preços do cristal negociado no mercado spot paulista. A menor disponibilidade do produto também permaneceu como fator de suporte.
Entre segunda-feira (26) e sexta-feira (30), o Indicador Cepea Esalq do açúcar cristal branco, com cor Icumsa entre 130 e 180, teve média de R$ 128,57 por saca de 50 quilos. O valor ficou 2,34% acima dos R$ 125,63 registrados na semana anterior.
Foi a 15ª semana consecutiva de valorização do indicador, a sequência mais longa desde 2020. Na quinta-feira (29), a cotação chegou a R$ 129,97 por saca, maior patamar desde junho de 2025.
Apesar do efeito mais imediato do câmbio, pesquisadores do Cepea avaliam que a oferta restrita continua dando sustentação aos preços. No campo, as chuvas seguem atrasando a colheita da cana-de-açúcar.
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