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Biocombustíveis ganham espaço em pesquisa para motores pesados

Projeto de 48 meses estudará componentes para hidrogênio e combustíveis renováveis

A RIO Riosulense iniciou um programa de pesquisa para desenvolver componentes destinados a motores movidos a hidrogênio e biocombustíveis. O projeto, realizado em parceria com a Universidade de Caxias do Sul (UCS), busca preparar materiais e peças para uma nova geração de motores de combustão interna com menor emissão de carbono.

A iniciativa parte da expectativa de que a transição energética no transporte não ocorrerá da mesma forma em todos os mercados. No Brasil, a disponibilidade de etanol, biodiesel, biometano e outras fontes renováveis abre espaço para soluções diferentes das adotadas em regiões como a Europa.

Segundo Clebson Atilio Ferreira, gerente técnico da RIO e coordenador da iniciativa, essa característica deve influenciar diretamente as tecnologias utilizadas nos próximos anos.

“O mundo passa por um momento de transição energética que se reflete no mercado automotivo e, consequentemente, nos produtos a serem oferecidos pela RIO daqui em diante”, afirmou.

Combustão deve permanecer nos veículos pesados

A avaliação apresentada pela empresa é de que os motores a combustão devem continuar presentes principalmente nos segmentos de veículos pesados e extrapesados. Nesse cenário, parte da mudança estaria menos na substituição do motor e mais na troca do diesel por combustíveis de menor emissão.

O hidrogênio também aparece entre as alternativas estudadas, embora sua utilização ainda dependa de avanços relacionados à produção, armazenagem e aplicação nos motores. A pesquisa pretende atuar especificamente no desenvolvimento de componentes capazes de trabalhar nessas novas condições.

Um dos principais desafios técnicos está no efeito do hidrogênio sobre as ligas ferrosas. O programa vai estudar os mecanismos de fragilização provocados pela difusão do elemento nos materiais e avaliar barreiras capazes de impedir esse processo.

O trabalho também poderá contribuir para a adaptação de peças que já fazem parte dos motores convencionais. Entre os componentes citados estão camisas de cilindro, guias e assentos de válvulas e tuchos.

De acordo com Ferreira, informações apresentadas em congressos de engenharia indicam que a composição das peças utilizadas em um motor movido a hidrogênio ou biocombustíveis difere em cerca de 15% daquela encontrada atualmente nos motores a diesel.

“A RIO tem um excelente know-how em ligas especiais e o próximo passo é validar e adequar esses materiais às condições de trabalho dos novos motores”, disse.

Pesquisa terá quatro anos de duração

O estudo será desenvolvido no Programa de Pós-Graduação em Engenharia e Ciência dos Materiais da UCS e terá duração prevista de 48 meses. A pesquisa ficará a cargo do bolsista Michael Cristian Goldbeck, com orientação dos professores Carlos Alejandro Figueroa e Alexandre Fassini Michels.

As etapas experimentais serão conduzidas na universidade, enquanto a validação técnica e a prototipagem serão realizadas na RIO e em outras instituições parceiras.

O projeto ocorre em um momento em que a fabricante, que completa 80 anos em 2026, procura ampliar sua atuação em tecnologias associadas à descarbonização dos motores. A companhia fornece componentes para os mercados de reposição automotiva, montadoras e segmentos agrícola e ferroviário. Além do trabalho desenvolvido com a UCS, a empresa mantém projetos com clientes e parceiros direcionados a outros combustíveis renováveis. Entre as frentes já em desenvolvimento estão componentes destinados especificamente a motores movidos a etanol e biogás.

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