Raízen amplia dívida para R$ 58,2 bilhões na safra 2025/26
Companhia aposta na recuperação extrajudicial para reduzir alavancagem
A Raízen encerrou o ano-safra 2025/26 com aumento expressivo do endividamento e prejuízo ampliado, em um período marcado por menor produção agrícola, queda nas receitas e elevados custos financeiros. A dívida líquida alcançou R$ 58,2 bilhões ao fim de março, alta de 69,9% em relação aos R$ 34,3 bilhões registrados um ano antes, enquanto a companhia reforçou que a recuperação extrajudicial será o principal instrumento para reequilibrar sua estrutura de capital.
O prejuízo líquido somou R$ 27,1 bilhões na safra encerrada em março, mais de seis vezes superior ao registrado no ciclo anterior, de R$ 4,2 bilhões. A receita líquida recuou 11,5%, para R$ 225,8 bilhões, refletindo um ambiente de negócios considerado desafiador pela companhia, com efeitos de condições climáticas adversas, volatilidade das commodities, juros elevados e impactos do mercado irregular de combustíveis.
A alavancagem, medida pela relação entre dívida líquida e Ebitda ajustado dos últimos 12 meses, passou de 3,2 vezes para 5,2 vezes na comparação anual. Em relação ao trimestre anterior, houve leve melhora, de 5,3 para 5,2 vezes, favorecida pela expansão do Ebitda ajustado acumulado em 12 meses.
Recuperação extrajudicial avança
A companhia informou que o plano de recuperação extrajudicial, protocolado em junho após obter adesão de mais de 80% dos credores envolvidos, deverá contribuir para reduzir a alavancagem, preservar a continuidade das operações e estabelecer uma estrutura de capital sustentável no longo prazo.
Entre as principais medidas previstas estão um aumento de capital de R$ 3,5 bilhões pela Shell, a possibilidade de aporte adicional de R$ 500 milhões pela Aguassanta Participações, a conversão de 45% dos créditos reestruturados em participação acionária e o refinanciamento dos 55% restantes por meio de novos títulos de dívida. O plano também contempla desinvestimentos, reorganizações societárias e segregação de ativos para ampliar a liquidez da empresa.
Segundo a administração, essas iniciativas poderão gerar impacto positivo estimado em R$ 12 bilhões na posição financeira da companhia. Desse total, aproximadamente 40% já foram capturados, enquanto o restante depende, principalmente, da conclusão da venda dos ativos na Argentina.
Operação sofre com clima e impairment
No segmento de etanol, açúcar e bioenergia, a moagem de cana caiu 9,8%, para 70,5 milhões de toneladas. A produção de açúcar recuou 5,5%, para 4,82 milhões de toneladas, enquanto a de etanol diminuiu 17,9%, totalizando 2,58 milhões de metros cúbicos. A companhia atribuiu o desempenho principalmente às condições climáticas adversas, que reduziram a disponibilidade de matéria-prima, além da simplificação do portfólio com a hibernação de usinas e venda de ativos.
Apesar da retração operacional, a produção de etanol de segunda geração (E2G) mais que dobrou na comparação anual, alcançando 120,2 mil metros cúbicos, impulsionada pela estabilização das plantas industriais.
Outro fator que pesou sobre o resultado foi o reconhecimento de provisões para perda no valor recuperável de ativos (impairment), totalizando R$ 22,5 bilhões. Desse montante, R$ 12,5 bilhões estão relacionados ao cenário de incerteza sobre a continuidade operacional da companhia e R$ 10 bilhões referem-se à expectativa de não realização de determinados ativos. Segundo a empresa, essas provisões não têm efeito imediato sobre o caixa e poderão ser revertidas caso as premissas utilizadas sejam alteradas no futuro. Além do impairment, a Raízen informou que reduziu custos e despesas em aproximadamente R$ 1 bilhão ao longo da safra e diminuiu os investimentos em 27,7%, para R$ 8,6 bilhões, como parte do plano de transformação e da estratégia de preservação de caixa. A empresa encerrou março com R$ 13,6 bilhões em caixa e equivalentes, enquanto mantém hedge para 100% do açúcar da safra 2025/26, 66% da produção prevista para 2026/27 e 5% da safra 2027/28.
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