Canaoeste amplia controle sobre análises de qualidade da cana
O acompanhamento da qualidade da cana entregue às usinas mudou nos últimos anos na Canaoeste. A associação padronizou procedimentos de inspeção, digitalizou registros e ampliou a capacitação da equipe que atua nos laboratórios das unidades industriais que recebem matéria-prima dos fornecedores associados.
Atualmente, 15 operadores de inspeção de qualidade trabalham na área de abrangência da Canaoeste, em turnos e escalas definidos conforme a necessidade de cada regional. A maioria tem formação nas áreas química ou agrícola, e a equipe também reúne profissionais formados em agronomia.
A função exige conhecimento dos processos de amostragem, preparo e análise da matéria-prima, além do funcionamento dos equipamentos. Os profissionais verificam procedimentos, registram ocorrências, comunicam situações fora do padrão e acompanham as providências adotadas pelas unidades industriais.
O trabalho segue as normas do Conselho dos Produtores de Cana-de-Açúcar, Açúcar e Etanol do Estado de São Paulo (Consecana-SP). Os resultados das análises são utilizados na determinação do Açúcar Total Recuperável (ATR), referência para a remuneração da cana entregue pelos fornecedores.
Segundo Lucas Guidugli Teodoro, coordenador de Análise Técnica e Qualidade da Canaoeste, a atuação da equipe foi reformulada nos últimos anos, com maior padronização dos procedimentos. “A experiência continua sendo muito importante, mas entendo que ela precisava estar acompanhada de critérios técnicos, procedimentos definidos e registros confiáveis”.
Controle digital amplia rastreabilidade
Uma das mudanças ocorreu na forma de registrar as informações coletadas nas usinas. As anotações, inicialmente feitas em agendas e depois transferidas para formulários físicos padronizados, migraram para um sistema digital, que passou a concentrar o histórico das inspeções realizadas pela equipe.
Hoje, os operadores geram mais de mil registros por mês. Os dados abrangem a entrada da cana, as condições dos equipamentos, o funcionamento das unidades, os resultados de ATR e ocorrências identificadas durante as inspeções, permitindo consultas por período, processo ou equipamento.
O histórico ajuda a identificar situações recorrentes e direcionar as ações nas unidades industriais. Também permite comparar procedimentos adotados em diferentes operações e, quando uma prática apresenta bons resultados e pode ser replicada, compartilhar a experiência com outras usinas acompanhadas pela equipe.
“A tecnologia não substitui o olhar técnico do operador. Muito pelo contrário, amplia a capacidade de transformar aquilo que ele observa em informação útil para a tomada de decisão”, afirma Teodoro.
Experiência acompanha mudanças nas usinas
Ariany Rodrigues Ayres, operadora de Inspeção de Qualidade com longa experiência na função, acompanhou parte dessa transformação na rotina dos laboratórios. Seu trabalho inclui checklists, verificação das aferições e dos documentos de calibração dos equipamentos nas usinas que recebem cana de fornecedores associados.
Ela lembra que, no início de sua atuação, havia maior resistência à presença dos profissionais nas unidades. O desconhecimento sobre a função e sobre os detalhes das normas do Consecana dificultava inclusive a comunicação com as equipes responsáveis pelas análises.
“Quando comecei a trabalhar na Canaoeste, senti uma dificuldade muito grande de comunicação nas usinas. Havia receio em relação ao nosso trabalho, muito por falta de entendimento sobre os detalhes das normas do Consecana”.
A mudança ocorreu gradualmente, segundo Ariany, com maior aproximação entre os operadores e os profissionais dos laboratórios. O próprio controle das informações também evoluiu. “A cada ano, o processo de controle e verificação foi se tornando mais digital e, hoje, temos tudo em tempo real, em cada usina que recebe a cana dos nossos fornecedores”.
Capacitação acompanha novos equipamentos
A qualificação dos operadores passou a acompanhar as mudanças nos procedimentos e nos equipamentos usados pelos laboratórios. A equipe participa de treinamentos periódicos voltados à atualização técnica e à identificação de situações que possam comprometer a qualidade das análises.
Em julho, os profissionais participaram de uma capacitação sobre refratômetros e sacarímetros. O treinamento abordou correção de temperatura, procedimentos de medição, cuidados durante a operação, manutenção preventiva e sinais que podem indicar problemas no funcionamento dos equipamentos.
A atividade incluiu ainda situações reais encontradas pelos operadores nas inspeções, levadas para discussão com os instrutores. “Aprendemos detalhadamente, com muita clareza e na prática, sobre cada equipamento do laboratório. Isso mostra a importância de cada etapa para garantir mais confiabilidade no valor do ATR para os nossos fornecedores associados”, disse Ariany. Para Teodoro, a atualização técnica deve acompanhar a evolução dos equipamentos e dos processos adotados pelos laboratórios. O objetivo é ampliar a capacidade dos operadores de perceber alterações antes que elas tenham impacto nas análises. “Espero que os operadores desenvolvam um olhar ainda mais crítico sobre a qualidade da operação dos equipamentos, conseguindo identificar sinais de possíveis falhas antes que interfiram no processo e, principalmente, nos resultados”.
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