Clima mantém açúcar em alta e favorece mercado de etanol
Excesso de chuva no Centro-Sul atrasa moagem, enquanto consumo sustenta o biocombustível
As condições climáticas seguem no centro das atenções do mercado sucroenergético. De acordo com a edição mais recente do Monitor Agro, do Bradesco, as chuvas abaixo da média em regiões produtoras da Ásia e o excesso de precipitações no Centro-Sul do Brasil reforçam o viés de alta para o açúcar, ao mesmo tempo em que a demanda continua favorecendo o etanol, apesar da pressão momentânea causada pelo aumento dos estoques.
No mercado internacional, a menor intensidade das monções em países asiáticos produtores amplia a preocupação com a oferta global de açúcar. Já no Brasil, o excesso de chuva pode atrasar o ritmo da moagem da cana, reduzindo temporariamente a disponibilidade da commodity e dando sustentação às cotações.
Apesar desse cenário, o relatório pondera que a demanda mundial ainda impõe um limite para uma valorização mais intensa. A redução das importações chinesas continua sendo um fator de pressão, dificultando que os preços do açúcar rompam, de forma consistente, o patamar de 15,5 centavos de dólar por libra-peso.
Clima segue como principal variável
As projeções climáticas continuam sendo acompanhadas de perto pelos agentes do mercado. A expectativa é de neutralidade no fenômeno ENSO nos próximos meses, mas o comportamento das chuvas permanece determinante para a evolução das principais regiões produtoras de cana-de-açúcar.
O relatório também destaca que, no Centro-Sul brasileiro, a umidade excessiva pode comprometer o avanço da colheita e da moagem, influenciando diretamente a oferta de açúcar e etanol durante a safra.
Demanda favorece o etanol
No mercado de etanol, o cenário continua positivo pelo lado do consumo. A maior demanda mantém o biocombustível como prioridade no mix de produção das usinas, especialmente após a aprovação do aumento da mistura obrigatória de etanol anidro na gasolina, medida que amplia o potencial de consumo ao longo da safra.
No curto prazo, porém, o aumento dos estoques limita uma valorização mais expressiva dos preços. Ainda assim, o Bradesco avalia que os fundamentos seguem favoráveis para o biocombustível, sustentados pelo crescimento do consumo interno e pela competitividade frente à gasolina.
Mercado acompanha próximos movimentos
Na avaliação do banco, a combinação entre riscos climáticos e demanda continuará determinando o comportamento do setor nas próximas semanas. Enquanto o clima pode restringir a oferta de açúcar, o consumo de etanol segue oferecendo suporte ao mercado, mantendo as atenções voltadas ao andamento da moagem e às condições meteorológicas nas principais regiões produtoras.
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