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FG/A vê etanol ganhando espaço no Centro-Sul em 2026/27

etanol

Produção do biocombustível de cana cresce 16,6% até agosto

O setor sucroenergético do Centro-Sul chegou à primeira quinzena de agosto com maior moagem de cana-de-açúcar, mas com uma mudança relevante na destinação da matéria-prima. Enquanto a produção de açúcar recuou, o volume de etanol de cana avançou 16,6% em relação ao mesmo período da safra anterior, segundo análise da FG/A Gestora em seu relatório gerencial de agosto.

Até o período, foram processadas 361,6 milhões de toneladas de cana-de-açúcar, crescimento de 2% sobre 2025/26. A diferença, porém, vem diminuindo ao longo da temporada. A vantagem acumulada chegou a 15,6% em maio, caiu para 4,7% em junho e atingiu 2% em julho, movimento atribuído às chuvas fora de época, que interromperam a colheita e atrasaram a chegada da matéria-prima às usinas.

A qualidade da cana também permaneceu praticamente estável. O ATR médio acumulado ficou em 129,6 quilos por tonelada, ante 130 quilos por tonelada no ciclo anterior, redução de 0,3%. Mesmo com o avanço da moagem, a produção de açúcar somou 20,23 milhões de toneladas, queda de 11,7% na comparação anual.

Mix reduz produção de açúcar

A diferença está principalmente no mix industrial. A parcela da cana-de-açúcar destinada ao açúcar ficou em 45,3%, 6,9 pontos percentuais abaixo dos 52,2% registrados em igual período de 2025/26. A produção do adoçante caiu de 22,91 milhões para 20,23 milhões de toneladas.

Na direção oposta, a fabricação de etanol de cana alcançou 15,12 milhões de metros cúbicos, ante 12,97 milhões de metros cúbicos um ano antes. O principal avanço ocorreu no hidratado, cuja produção aumentou 24,8%, de 8,22 milhões para 10,26 milhões de metros cúbicos. O anidro cresceu 2,4%, para 4,86 milhões de metros cúbicos.

Somado ao combustível produzido a partir do milho, o volume total de etanol chegou a 18,68 milhões de metros cúbicos, alta de 14,7%. O etanol de milho respondeu por 3,56 milhões de metros cúbicos, avanço de 7%. Dentro desse segmento, a produção de anidro aumentou 52,1%, para 1,70 milhão de metros cúbicos, enquanto a de hidratado recuou 15,7%, para 1,86 milhão.

Açúcar reage no mercado internacional

Apesar da menor produção no Centro-Sul, as cotações do açúcar apresentaram recuperação em agosto. O contrato com vencimento em outubro de 2026 em Nova York avançou 23,2% no mês e encerrou o período em 18,42 centavos de dólar por libra-peso, equivalente a R$ 2.208 por tonelada, segundo o relatório.

A FG/A relaciona o movimento às preocupações com a oferta mundial em 2026/27. A Organização Internacional do Açúcar passou a projetar déficit global de 200 mil toneladas, depois de um superávit estimado em 1 milhão de toneladas para 2025/26. A perspectiva considera redução da produção na Europa, Índia e Tailândia, enquanto o consumo mundial deve crescer 0,5%.

No Brasil, entretanto, a recuperação dos preços pode favorecer uma maior destinação da cana-de-açúcar para o adoçante. Segundo a análise, as usinas aproveitaram a reação das cotações para capturar prêmios em relação ao etanol e realizar fixações. Esse movimento pode diminuir, até o encerramento da safra, a diferença da produção de açúcar em relação ao ciclo anterior.

Demanda passa a ser determinante para o etanol

O mercado de etanol também reagiu em agosto. O indicador diário do Cepea para o hidratado posto Paulínia encerrou o mês em R$ 2,47 por litro, alta de 16%, depois de atingir R$ 2,13 por litro, apontado no relatório como o menor patamar em cinco anos.

A recuperação ocorreu em um ambiente de maior competitividade do biocombustível. A paridade média em São Paulo encerrou agosto em 57,6%, enquanto as vendas de etanol hidratado na primeira quinzena do mês cresceram 8,9% na comparação anual, com média de 96 mil metros cúbicos por dia útil.

Com uma oferta considerada estruturalmente mais elevada, a FG/A avalia que a trajetória dos preços ao longo da safra dependerá de uma resposta mais consistente do consumo. A gestora mantém projeção de paridade média próxima de 63% em 2026/27, cinco pontos percentuais abaixo da temporada anterior. Para absorver o excedente previsto, estima que a demanda precisaria permanecer próxima de 95 mil metros cúbicos por dia útil nas próximas quinzenas.

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