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Pesquisa avança na criação massal do bicudo-da-cana

Estudos mostram avanços no monitoramento e controle da praga

A criação massal do bicudo-da-cana (Sphenophorus levis) em laboratório deixou de ser apenas um desafio experimental para abrir novas possibilidades ao desenvolvimento de estratégias de manejo da praga. Os avanços foram apresentados pelo professor Sergio Antonio De Bortoli, da Faculdade de Ciências Agrárias e Veterinárias (FCAV/Unesp), durante o InsectShow, evento realizado no dia 22 de julho, em Ribeirão Preto – SP, que reuniu pesquisadores, empresas e produtores para discutir inovação no controle fitossanitário da cana.

Na avaliação do pesquisador, produzir o inseto em larga escala é uma etapa fundamental para acelerar estudos envolvendo inseticidas químicos e biológicos, feromônios, inimigos naturais e novas tecnologias de monitoramento. O trabalho é desenvolvido pelo Centro de Pesquisa em Engenharia em Fitossanidade em Cana-de-Açúcar (CEPENFITO), parceria entre Unesp, Usina São Martinho e Fapesp.

Criação em laboratório supera desafios

Um dos maiores desafios da pesquisa foi estabelecer uma metodologia capaz de garantir a sobrevivência das larvas e reduzir a contaminação por fungos e bactérias. Para isso, a equipe aperfeiçoou protocolos de tratamento de ovos, formulações de dieta artificial e sistemas de criação que hoje permitem manter populações do inseto sob condições controladas.

Além de ampliar a produção, a pesquisa busca preservar características fisiológicas e comportamentais das populações criadas em laboratório, garantindo maior confiabilidade aos ensaios. Também foram aperfeiçoados os métodos de oviposição, alimentação dos adultos e controle de qualidade, fatores considerados essenciais para reproduzir, em ambiente controlado, o comportamento observado nos canaviais.

Monitoramento ganha novas ferramentas

Outro destaque da apresentação foi o desenvolvimento de alternativas para monitorar a praga no campo. Os estudos incluem armadilhas do tipo pitfall, diferentes formulações de iscas, materiais pré-fermentados e avaliações com feromônios e cairomônios para aumentar a eficiência da captura de adultos. O pesquisador também apresentou resultados relacionados ao primeiro registro de voo de Sphenophorus levis em condições naturais, descoberta que amplia o conhecimento sobre a capacidade de dispersão da espécie.

As pesquisas incorporam ainda técnicas de espectrorradiometria para diferenciar ovos, larvas, pupas e adultos por meio da reflectância. A tecnologia permite identificar cada estágio de desenvolvimento do inseto sem destruí-lo, ampliando as possibilidades de monitoramento e de condução de experimentos.

Controle biológico avança

Entre os resultados apresentados estão os avanços na criação e na liberação da tesourinha (Euborellia annulipes), predador considerado promissor para o controle biológico do bicudo. Também foram destacados estudos com o fungo Beauveria bassiana, que mostraram menor atratividade das plantas tratadas aos adultos da praga e redução dos danos provocados pelas larvas em comparação às plantas não inoculadas.

Segundo De Bortoli, etapas consideradas críticas no início do projeto, como coleta da população fundadora, transporte dos insetos, controle de contaminações, desenvolvimento de dietas e definição de substratos para oviposição, já foram superadas. A próxima fase da pesquisa concentra esforços para aumentar a viabilidade das larvas e reduzir seu ciclo de desenvolvimento, avanços que devem ampliar a capacidade de produção de insetos para pesquisa e acelerar o desenvolvimento de novas ferramentas para o manejo integrado do bicudo-da-cana.

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