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Hedgepoint vê piso de 13,5 cents para açúcar em 2026

Excedente global e decisão do “Centro-Sul” pressionam mercado

O mercado internacional de açúcar deve enfrentar excedente relevante em 2026, com preços trabalhando entre 14 e 15 centavos de dólar por libra peso e piso técnico próximo de 13,5 centavos. A avaliação é da Hedgepoint Global Markets, que reforçou viés baixista diante da recomposição de oferta global e da elevada disponibilidade brasileira.

Segundo a analista de açúcar da consultoria, Lívea Coda, a safra global 2025/26 tende a registrar excesso de oferta, enquanto o Brasil deve entrar em mais um ciclo de forte disponibilidade em 2026/27. Ela afirmou que o mercado já opera com conforto do lado da oferta e que a recuperação produtiva no Hemisfério Norte amplia a pressão sobre as cotações internacionais.

As projeções foram apresentadas como prévia do Outlook 2026, em encontro fechado com jornalistas realizado em 23 de fevereiro, sob embargo. A divulgação pública ocorre nas transmissões ao vivo programadas entre 24 e 27 de fevereiro, às 15h30 no horário de Brasília.

O presidente da Hedgepoint, Renato Dias, afirmou que o ambiente atual exige monitoramento constante dos fundamentos. “Os ciclos de alta e baixa estão mais curtos e o mercado reage com mais velocidade às mudanças de oferta e demanda”, disse.

Oferta global amplia pressão sobre preços

A Hedgepoint trabalha com faixa entre 14 e 15 centavos de dólar por libra peso em 2026, mas com piso técnico próximo de 13,5 centavos. De acordo com Lívea, esse patamar seria o nível capaz de estimular maior demanda por etanol hidratado e ajudar a reequilibrar o excedente no comércio internacional.

Ela destacou que a arbitragem de importação chinesa hoje indicaria piso ao redor de 14,97 centavos por libra peso, mas que a ampla disponibilidade global já levou o mercado a negociar abaixo desse nível. Mesmo com importações chinesas projetadas para subir de 6,1 milhões para 6,3 milhões de toneladas, o saldo global permaneceria positivo, segundo a consultoria.

A recomposição de oferta envolve diversas origens. Índia, Tailândia e China ampliam produção no Leste Asiático. Na América Central, chuvas favoráveis sustentam projeção de 2,7 milhões de toneladas na Guatemala, com exportações próximas de 1,8 milhão, além de cenário semelhante em El Salvador.

No México, a produção 2025/26 pode crescer 10 por cento. Nos Estados Unidos, a estimativa aponta segundo ano acima de 8,5 milhões de toneladas. Na Europa, União Europeia e Reino Unido devem produzir 15,8 milhões de toneladas, já descontado volume próximo de 1 milhão destinado ao etanol, o que pode recolocar a região como importadora líquida.

Brasil e mix do “Centro-Sul” definem ajuste

Para o Brasil, a Hedgepoint estima moagem de 610 milhões de toneladas de cana em 2025/26, com ATR de 137,8 kg por tonelada e mix de 50,6 por cento para açúcar, resultando em 40,5 milhões de toneladas. Em 2026/27, o cenário base considera 630 milhões de toneladas, ATR de 139,5 kg por tonelada e mix de 48,6 por cento, mantendo o volume de açúcar em 40,5 milhões de toneladas.

No etanol, a safra 2025/26 deve somar 12,5 bilhões de litros de anidro e 21,5 bilhões de litros de hidratado, sendo 8,9 bilhões e 15,5 bilhões originados da cana. O etanol de milho responde por 3,5 bilhões de litros de anidro e 5,9 bilhões de hidratado. Para 2026/27, a expectativa é de expansão para 4 bilhões de litros de anidro e 7 bilhões de hidratado.

Segundo Lívea, caso o “Centro-Sul” mantenha mix máximo de 50,6 por cento para açúcar, o fluxo global acumulará excedente de 3,6 milhões de toneladas entre o quarto trimestre de 2025 e o primeiro trimestre de 2027. Para zerar esse volume, o mix teria de cair para perto de 46,2 por cento, movimento limitado por contratos já fixados e pela capacidade de absorção do mercado de combustíveis.

Em simulação de preços, a consultoria indica que, para incentivar maior consumo de etanol hidratado frente à gasolina C na maioria dos Estados, o preço em São Paulo teria de recuar do intervalo de 17 a 18 centavos de dólar por libra peso para algo próximo de 13,5 centavos, equivalente a valores entre R$ 2,3 e R$ 2,5 por litro na usina.

Entre os riscos monitorados estão o excedente global no curto prazo, o ritmo produtivo do Hemisfério Norte e a oferta brasileira de matéria prima, além de conflitos geopolíticos, decisões governamentais e eventos climáticos associados ao El Niño.

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