CTC lança variedades de cana com foco em produtividade no Centro-Sul
Genéticas ampliam desempenho em ambientes restritivos e favoráveis
O Centro de Tecnologia Canavieira CTC apresentou duas novas variedades de cana-de-açúcar durante encontro com especialistas e executivos do setor sucroenergético realizado em Ribeirão Preto- SP, na última semana. As cultivares CTCAdvana2 e TECNA3902 foram desenvolvidas para ampliar a produtividade dos canaviais em diferentes ambientes de produção do Centro-Sul e reforçam a estratégia da companhia de combinar genética moderna com recomendações de manejo agronômico mais precisas.
A programação reuniu técnicos, pesquisadores e representantes de grupos sucroenergéticos para discutir estratégias voltadas ao aumento de açúcar total recuperável ATR, posicionamento varietal e manejo agronômico em um contexto de maior atenção ao retorno dos investimentos no campo.
Genética para ambientes restritivos
O principal lançamento foi a variedade CTCAdvana2, indicada para ambientes de produção classificados como C, D e E, considerados mais desafiadores para o cultivo da cana-de-açúcar. Essas áreas representam um mercado potencial superior a 4 milhões de hectares na região Centro Sul.
De acordo com o CTC, a cultivar foi desenvolvida com tecnologias avançadas de melhoramento genético e apresenta produtividade superior a 100 toneladas de cana por hectare, cerca de 10 por cento acima dos melhores materiais atualmente disponíveis para essas condições. A variedade possui janela de colheita entre maio e setembro e longo período de utilização industrial, permitindo maior flexibilidade operacional ao longo da safra.
Nos ensaios conduzidos pela empresa, a CTCAdvana2 registrou desempenho superior em mais de 80 por cento das avaliações comparativas de toneladas de açúcar por hectare frente aos padrões modernos do mercado. O material apresentou ganho médio de 1,3 tonelada de açúcar por hectare e índice de vitórias de 87 por cento nos testes comparativos.
Segundo Henrique Mattosinho Dávila, gerente de desenvolvimento de mercado do CTC, a cultivar estabelece um novo patamar produtivo para áreas mais restritivas. “A Advana2 nasce para atender uma das principais dores do setor, que são os ambientes com maior limitação de solo e clima. É um material recomendado para praticamente toda a região Centro Sul”, afirma.
A variedade também apresenta elevada sanidade vegetal, característica que pode reduzir perdas associadas a doenças, estimadas entre 10 e 15 por cento da produtividade dos canaviais. Entre os atributos agronômicos estão porte ereto, bom diâmetro de colmos, excelente brotação de plantio e de colheita e maior eficiência na colheita mecanizada.
Resultados de campo reforçam o desempenho em condições desafiadoras. Em um canavial de quarto corte no Paraná, em ambiente classificado como D, a variedade alcançou produtividade de 110 toneladas por hectare, mais de 20 por cento acima da média regional.
O lançamento ocorre na sequência da CTCAdvana1, apresentada no ano passado para ambientes mais favoráveis. No primeiro ano de mercado, a cultivar foi adotada por 240 usinas, superando o recorde anterior da variedade CTC 9006, que havia sido utilizada por 104 unidades em seu ano de estreia.
Nova opção genética para ambientes favoráveis
O segundo lançamento foi a TECNA3902, cultivar desenvolvida a partir de um processo de seleção regionalizada conduzido pelo CTC. A recomendação inicial contempla regiões produtoras do interior paulista como Ribeirão Preto, Piracicaba, São Carlos e Assis.
Classificada como de maturação precoce média, a variedade é indicada para ambientes intermediários a favoráveis, classificados como A, B e C, com janela de manejo entre abril e agosto.
Nos ensaios conduzidos pela companhia, a TECNA3902 registrou índice de vitórias de 67 por cento frente aos padrões de comparação. O material também apresentou cerca de 5 quilos de ATR por tonelada de cana acima das variedades de referência.
Em avaliações realizadas com produtores, a cultivar superou 100 toneladas de cana por hectare e registrou ganho aproximado de 7 por cento em toneladas de açúcar por hectare em ambientes favoráveis. A produtividade média observada foi de cerca de 115 toneladas por hectare.
Entre as características agronômicas estão boa brotação de plantio e de soqueira, perfilhamento consistente, porte ereto e baixo índice de florescimento. A variedade também apresentou menor ocorrência de falhas de plantio, abaixo da média do setor estimada em cerca de 10 por cento, fatores que favorecem o manejo mecanizado e a estabilidade produtiva dos canaviais.
Pipeline de inovação e novas tecnologias
Durante o encontro, o CTC também apresentou avanços em projetos de inovação e biotecnologia. Segundo a diretora de pesquisa e desenvolvimento da companhia, Sabrina Chabregas, a empresa trabalha na terceira geração de tecnologias voltadas ao controle do bicudo da cana Sphenophorus levis.
A proposta é desenvolver genes capazes de controlar a praga mantendo o pacote tecnológico que já combina resistência à broca da cana e tolerância a herbicidas.
Outro projeto destacado foi o desenvolvimento de sementes sintéticas de cana. De acordo com o CEO do CTC, Cesar Barros, mais de 25 experimentos foram conduzidos em um ano e cerca de 20 hectares já foram plantados com sementes experimentais. A empresa também prepara a inauguração, em abril, de uma planta demonstrativa em sua sede em Piracicaba SP, com investimento de 100 milhões de reais.
Nos últimos dez anos, o CTC investiu mais de 1 bilhão de reais em pesquisa e desenvolvimento relacionados ao projeto. O trabalho inclui a validação de plantadeiras em parceria com fabricantes de máquinas agrícolas.
Outro avanço citado foi a evolução da plataforma de biotecnologia VerdPRO2, considerada a primeira cana transgênica aprovada no mundo. A tecnologia combina resistência à broca da cana, praga presente em praticamente 100 por cento dos canaviais brasileiros e responsável por perdas estimadas em até 8 bilhões de reais por ano, com maior tolerância a herbicidas.
O primeiro de uma série de 14 produtos já foi submetido à Comissão Técnica Nacional de Biossegurança. A expectativa da empresa é lançar a primeira variedade transgênica ainda no final desta safra. Uma terceira geração da tecnologia já está em desenvolvimento e deve incorporar também proteção contra o bicudo, praga que pode provocar perdas de 20 a 30 toneladas por hectare ao ano.
Cenário econômico e decisões de investimento
O encontro também incluiu uma mesa redonda sobre cenário econômico e perspectivas para o setor sucroenergético. Participaram do debate o economista do Banco BV Carlos Lopes, o diretor da União da Indústria de Cana-de-açúcar e Bioenergia Unica Luciano Rodrigues e o coordenador do Insper Agro Global Marcos Jank.
Segundo o CTC, a discussão buscou analisar como o ambiente macroeconômico influencia decisões de investimento, expansão e manejo agronômico em um momento de maior racionalidade na alocação de capital no setor.
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