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Crédito rural empresarial soma R$ 404 bi no Plano Safra 2025/26

Desembolso cresce em volume, mas recua no ritmo e sinaliza ajuste

O crédito rural destinado à agricultura empresarial alcançou R$ 404 bilhões no Plano Safra 2025/26, segundo dados do Ministério da Agricultura. O volume expressivo indica manutenção da oferta de recursos ao setor, mas o ritmo de desembolso desacelerou ao longo do ciclo, refletindo juros elevados e maior seletividade na concessão.

No acumulado da safra, o montante liberado cresceu em termos absolutos, impulsionado por linhas de custeio e comercialização. Ainda assim, levantamentos de mercado apontam queda de cerca de 13% no desembolso em comparação com o mesmo período da temporada anterior, sinalizando um ambiente financeiro mais restritivo para produtores e empresas do agronegócio.

Mudança no perfil das linhas

A composição do crédito também passou por ajustes. Linhas tradicionais, com maior subsídio, perderam espaço relativo, enquanto operações com recursos livres e instrumentos de mercado ganharam participação. Esse movimento acompanha a elevação do custo do dinheiro e a redução da capacidade do governo de ampliar equalizações de juros.

Na prática, produtores enfrentam maior exigência de garantias e taxas mais altas, o que impacta decisões de investimento e ampliação de área. O crédito para custeio segue predominante, mas há menor dinamismo nas linhas voltadas à modernização e aquisição de máquinas.

Pressão de juros e cenário para 2026/27

A taxa básica de juros em patamar elevado continua sendo o principal fator de pressão sobre o crédito rural. Mesmo com ajustes recentes, o custo financeiro permanece acima da média histórica, limitando o acesso principalmente para médios produtores.

Para o Plano Safra 2026/27, o cenário é de incerteza. O governo avalia alternativas para ampliar o alcance das políticas de financiamento, incluindo a criação de linhas específicas subsidiadas, como para aquisição de fertilizantes. A medida busca reduzir custos de produção em um contexto de volatilidade internacional de insumos.

Especialistas apontam que a combinação entre restrição fiscal e demanda crescente por crédito exigirá maior participação do mercado privado no financiamento do agro, com avanço de instrumentos como CPR, CRA e operações estruturadas. O movimento reforça a tendência de diversificação das fontes de recursos no setor.

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