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Agrishow 2026 soma R$ 11,4 bi em cenário mais restritivo

Edição evidencia avanço do etanol na mecanização

A Agrishow 2026 encerrou na sexta-feira (1º) a 31ª edição com R$ 11,4 bilhões em intenção de negócios, em um ambiente mais restritivo para investimentos em máquinas agrícolas no país. Ainda assim, a feira destacou o avanço de tecnologias ligadas à transição energética, com o etanol e o biometano ganhando espaço na mecanização.

O evento recebeu 197 mil visitantes ao longo de cinco dias, número semelhante ao da edição anterior, mantendo-se como principal vitrine tecnológica do agronegócio na América Latina.

Dados da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq) ajudam a contextualizar o desempenho. As vendas internas de máquinas agrícolas recuaram 19,9% no primeiro trimestre frente a igual período de 2025, pressionadas por juros elevados, volatilidade cambial e preços menos favoráveis das commodities.

“A Agrishow demonstra, mais uma vez, a competência e resiliência dos agricultores e fabricantes de máquinas agrícolas do Brasil. Muito embora nós estejamos vivendo, há três anos, um mercado desfavorável, continuamos investindo no que há de melhor para a agricultura tropical no Brasil. E para tanto, acreditamos que este país e o futuro dele vem do agronegócio. E não importa o momento que estamos vivendo, pois sabemos que a agricultura vive de ciclos e este é desfavorável, mas temos convicção que este e os próximos anos serão favoráveis. Estaremos preparados para continuar atendendo à demanda do mercado brasileiro”, afirma João Marchesan, presidente da Agrishow.

No crédito, o Banco do Brasil acolheu R$ 4,25 bilhões em propostas de financiamento durante a feira, volume 41,6% acima da estimativa inicial de R$ 3 bilhões. As operações incluem investimentos em máquinas, armazenagem, irrigação, tecnologia e custeio, atendendo produtores de diferentes perfis.

“Esse resultado mostra como o produtor encontra no BB o principal parceiro do agro e reforça a nossa capacidade de atender às demandas de todos os perfis de cliente, sejam eles familiares, médios ou grandes. Mesmo em um ambiente mais desafiador, o produtor segue investindo e o BB cumpre seu papel de principal parceiro do agro, oferecendo crédito com responsabilidade e alinhado às necessidades de cada perfil”, afirma Gilson Bittencourt, vice-presidente de Agronegócios e Agricultura Familiar do banco.

O Sicredi também reforçou sua atuação na feira, destacando a posição como maior financiador privado do agronegócio no país. A instituição informou ter liberado R$ 52,8 bilhões em crédito nos nove primeiros meses do Plano Safra 2025/2026, alta de 16,5% na comparação anual, e mantém carteira agro superior a R$ 123 bilhões. Na feira, o Sicredi ressaltou ainda a liderança nas operações do programa Pró-Trator no estado de São Paulo, concentrando mais de 80% dos contratos, além da ampliação de soluções como consórcios e seguros rurais.

Cana-de-açúcar concentra avanços na mecanização a etanol

A presença de motores a etanol não é inédita na feira, mas ganhou maior visibilidade na edição de 2026, com mais fabricantes apresentando soluções em estágio avançado de validação. Em comparação a anos anteriores, quando os projetos apareciam de forma pontual, as tecnologias passaram a ocupar espaço mais amplo nas estratégias das montadoras.

O movimento está associado à busca por alternativas ao diesel e à necessidade de maior previsibilidade de custos operacionais, especialmente em atividades ligadas à cana-de-açúcar.

A Case IH apresentou a colhedora de cana Austoft 9000 equipada com motor a etanol, já validada em campo, com mais de 600 horas de operação e cerca de 20 mil toneladas colhidas. A motorização é desenvolvida pela FPT Industrial, que também fornece soluções para outras aplicações da marca. A fabricante ainda avançou com o trator Puma 230 a etanol, ampliando testes no ciclo da cana e em outras culturas.

A John Deere também avançou com colhedoras de cana em desenvolvimento com motorização a etanol, além de reforçar o portfólio com lançamentos como a CH 9 e a CH 750, que trazem ganhos em eficiência energética, automação e qualidade da matéria-prima.

Motores e logística ampliam uso de biocombustíveis

O avanço do etanol na mecanização também passa pelo desenvolvimento de motores dedicados. A Massey Ferguson apresentou o motor AGCO Power a etanol, desenvolvido integralmente pela engenharia brasileira ao longo de três anos. O projeto acumula cerca de 10 mil horas de testes em cana e grãos, com potência entre 200 cv e 300 cv, mantendo desempenho equivalente ao diesel e com redução de emissões próxima de 90%. A chegada ao mercado está prevista para 2028.

Também do grupo AGCO, a Valtra avançou com motores a etanol em validação e apresentou trator movido a biometano na mesma faixa de potência, utilizando resíduos como vinhaça e biomassa como fonte energética.

A FPT Industrial segue uma linha própria de desenvolvimento e indicou que as primeiras aplicações comerciais de máquinas com motorização a etanol podem chegar ao mercado a partir de 2027. Entre as tecnologias apresentadas, estão os motores a etanol N67, voltado a tratores, e o Cursor 13, aplicado em colhedoras, ambos expostos no estande da Case IH. Em estágio mais avançado, os motores a biometano já apresentam aplicações comerciais, inclusive em tratores em operação.

A Bosch também apresentou soluções voltadas à descarbonização no campo, com destaque para a tecnologia Dual Fuel Diesel Etanol, que permite o uso combinado dos dois combustíveis em motores originalmente a diesel, mantendo desempenho e ampliando a eficiência energética.

A CNH Industrial ampliou o uso do etanol além das máquinas agrícolas com a pá-carregadeira 721E da Case Construction, configurada para operar com bagaço de cana dentro das usinas.

No transporte, a Scania apresentou caminhão fora de estrada movido a gás natural e biometano, com 460 cv, torque de 2.300 Nm, capacidade de tração de 150 toneladas e autonomia de até 450 quilômetros.

A presença do etanol também avançou na aviação agrícola. A Embraer destacou o Ipanema 203, aeronave movida 100% a etanol.

Eficiência operacional e manejo no campo

A Jacto apresentou a Hover 500, colhedora de duas linhas voltada ao aumento de produtividade na cana-de-açúcar.

Entre as soluções de manejo, a TT do Brasil levou à feira o Bisturi Canavieiro, equipamento voltado à melhoria das condições do solo e à ampliação da longevidade dos canaviais.

O Instituto Agronômico (IAC) apresentou novas variedades de cana-de-açúcar com foco em produtividade e adaptação a diferentes ambientes de cultivo.

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