Segurança energética ganha espaço no debate sobre transição energética
Biometano é apontado como aliado da competitividade do país
A transição energética brasileira precisa avançar além da redução das emissões de carbono e incorporar a segurança energética como eixo estratégico para o desenvolvimento do país. A avaliação é de Alessandro Gardemann, fundador da Geo Biogás & Carbon e presidente do conselho da Associação Brasileira do Biogás (ABiogás), durante participação no podcast Conexão MBCBrasil – A Mobilidade em Pauta, do Instituto MBCBrasil.
Segundo Gardemann, ampliar a produção de biometano representa uma oportunidade para reduzir a dependência brasileira da importação de combustíveis fósseis, especialmente do diesel, além de fortalecer a competitividade da indústria nacional. Para ele, o tema precisa fazer parte das discussões sobre política energética de forma permanente.
“O grande diferencial do biometano é que ele não resolve apenas uma questão ambiental. Ele fortalece a segurança energética do país”, afirmou.
Brasil reúne condições para liderar
Na avaliação do especialista, o Brasil possui vantagens competitivas para ocupar posição de destaque nesse mercado. A combinação entre ampla oferta de biomassa, forte base agroindustrial e uma matriz elétrica predominantemente renovável cria condições para expandir a produção de biometano e desenvolver uma nova cadeia produtiva.
Além de aproveitar resíduos do agronegócio, do saneamento e de aterros sanitários, essa expansão pode gerar empregos, agregar valor a materiais antes descartados e reduzir a exposição do país às oscilações do mercado internacional de combustíveis.
Gardemann destacou que, enquanto o etanol permitiu diminuir a dependência da gasolina, o transporte de cargas ainda permanece fortemente vinculado ao diesel de origem fóssil, grande parte importado. Nesse cenário, o avanço do biometano ganha importância estratégica para ampliar a autonomia energética brasileira.
Mercado amplia oportunidades
Durante a entrevista, o presidente do conselho da ABiogás afirmou que a produção nacional de biometano vive um período de expansão, impulsionada pelo maior aproveitamento de resíduos orgânicos em diferentes setores da economia. Esse movimento, segundo ele, amplia a oferta de energia renovável e cria novas oportunidades para a indústria.
O especialista também avaliou que o Brasil reúne condições para assumir papel relevante no mercado internacional de combustíveis sustentáveis para aviação (SAF). A crescente demanda global por alternativas de baixo carbono, combinada à disponibilidade nacional de biomassa, pode favorecer o país na exportação desses combustíveis.
Gardemann ainda defendeu que a transição energética seja conduzida sob o princípio da neutralidade tecnológica, permitindo que diferentes soluções renováveis avancem de forma complementar, de acordo com as características econômicas e produtivas de cada região.
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