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Mercado de açúcar oscila com clima e incertezas na oferta global

Volatilidade marcou julho, mas déficit previsto para 2026/27 limita pressão baixista

O mercado internacional de açúcar encerrou julho em um ambiente de elevada volatilidade, influenciado pelas oscilações do petróleo, pelos riscos climáticos nas principais regiões produtoras e por revisões nas projeções de oferta global. Apesar da pressão exercida pela ampla disponibilidade de açúcar brasileiro no curto prazo, analistas avaliam que a perspectiva de déficit na safra 2026/27 segue oferecendo sustentação às cotações.

Na Bolsa de Nova Iorque (ICE Futures US), o contrato com vencimento em outubro fechou julho cotado a 14,43 centavos de dólar por libra-peso, recuo de 2,63% em relação ao fim de junho. O movimento refletiu principalmente o avanço da produção brasileira, embora o cenário tenha permanecido sensível às condições climáticas e às expectativas para a próxima safra mundial.

Déficit global ganha força

As estimativas para o balanço mundial do açúcar ficaram mais apertadas nas últimas semanas. A consultoria Green Pool elevou sua projeção de déficit global na safra 2026/27 para 3,34 milhões de toneladas, praticamente o dobro da previsão anterior, de 1,76 milhão de toneladas. A revisão considera os atrasos na moagem provocados pelas chuvas no Centro-Sul do Brasil e a redução do potencial produtivo em regiões da Europa afetadas por calor e seca.

Além do Brasil, o clima também preocupa em outros importantes produtores. As revisões negativas para União Europeia, Reino Unido, Rússia e Ucrânia reforçam a percepção de uma oferta menos confortável, enquanto o fenômeno El Niño permanece no radar por seu potencial de comprometer a produção em diferentes regiões agrícolas.

Etanol, Índia e demanda influenciam preços

Outro fator acompanhado pelo mercado é a competitividade do etanol. Segundo análise da Archer Consulting, o biocombustível continua negociado abaixo da paridade com o açúcar, reduzindo seu poder de sustentação sobre as cotações da commodity, mesmo após medidas regulatórias que ampliaram a demanda potencial pelo combustível renovável.

No mercado físico, a demanda segue moderada, enquanto países importadores importantes, como Indonésia e China, mantêm compras mais seletivas. Em contrapartida, a suspensão das exportações pela Índia até setembro e as perdas na produção europeia ajudam a limitar movimentos mais intensos de queda nos preços internacionais.

Os fundos de investimento também ampliaram suas posições vendidas, indicando cautela dos investidores. Ainda assim, especialistas avaliam que qualquer mudança relevante nas condições climáticas ou nos fundamentos de oferta e demanda poderá provocar uma correção mais expressiva das cotações.

Mercado acompanha próximos gatilhos

No encerramento da semana, o contrato outubro voltou a subir e fechou a 14,66 centavos de dólar por libra-peso, apoiado pelas preocupações com o clima na Índia e pelas novas projeções de déficit global. Pesquisa da Reuters com operadores e analistas aponta expectativa de que o açúcar bruto encerre 2026 próximo de 15 centavos de dólar por libra-peso, à medida que o mercado migra de um cenário de superávit para déficit na próxima safra.

Enquanto o Brasil mantém uma das maiores produções de sua história, o comportamento do clima, a evolução da moagem no Centro-Sul e as decisões dos principais países exportadores deverão continuar definindo o rumo das cotações ao longo dos próximos meses.

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