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Moagem de cana sobe 4,9% e etanol amplia espaço na safra 2026/27

StoneX projeta 641,1 milhões de toneladas no Centro-Sul e recorde na produção de etanol

A recuperação da produtividade dos canaviais levou a StoneX a revisar para cima as estimativas para a safra brasileira de cana-de-açúcar 2026/27. No Centro-Sul, a consultoria passou a projetar moagem de 641,1 milhões de toneladas, volume 4,9% superior ao registrado no ciclo anterior e cerca de 9 milhões de toneladas acima da previsão divulgada em maio. Se confirmada, será a segunda maior moagem da história da região, atrás apenas da safra 2023/24.

A revisão reflete principalmente o avanço da produtividade agrícola. A estimativa para o rendimento dos canaviais foi elevada para 79,3 toneladas por hectare (TCH), crescimento de 6,5% sobre a safra passada. Ao mesmo tempo, o excesso de chuvas durante a colheita tem provocado atrasos operacionais em diversas usinas, cenário que pode prolongar a temporada e manter o clima como principal fator de risco para os próximos meses.

Segundo Marcelo Di Bonifacio Filho, analista de Inteligência de Mercado da StoneX, o ganho de produtividade compensou a redução da área colhida e sustentou uma moagem superior às expectativas iniciais, apesar das dificuldades operacionais provocadas pelas chuvas.

Etanol ganha participação no mix

A maior oferta de matéria-prima não deverá resultar em aumento da produção de açúcar. A StoneX reduziu a projeção do mix açucareiro para 46,1%, ante 50,4% registrados em 2025/26. Com isso, o mix destinado ao etanol sobe para 53,9%, consolidando uma safra mais voltada aos combustíveis renováveis.

A produção de açúcar foi revisada para 38,7 milhões de toneladas, queda de 4,2% em relação ao ciclo anterior. Segundo a consultoria, a menor recuperação de sacarose, a demanda internacional menos aquecida e a maior competitividade do etanol reduziram o interesse das usinas em ampliar a fabricação do adoçante.

Em contrapartida, a produção total de etanol deve atingir recorde histórico de 38,8 milhões de metros cúbicos, alta de 15% sobre a safra anterior. A produção de etanol de cana está estimada em 27,9 milhões de metros cúbicos, avanço de 13,9%, enquanto o etanol de milho deve crescer 17,8%, alcançando 10,8 milhões de metros cúbicos. Com esse volume, o biocombustível produzido a partir do milho deverá responder por cerca de 28% de toda a produção de etanol no Centro-Sul.

Para Letícia Corrêa, analista de Inteligência de Mercado da StoneX, o crescimento contínuo da indústria de etanol de milho amplia a oferta nacional de biocombustíveis e reduz a necessidade de direcionar mais cana para a produção de açúcar. A consultoria também projeta que o etanol hidratado alcance participação de 31,4% no consumo de combustíveis leves do Centro-Sul, favorecido pela paridade econômica positiva em oito dos doze estados da região.

Norte-Nordeste mantém recuperação

Para a região Norte-Nordeste, a StoneX manteve a projeção de moagem em 57,8 milhões de toneladas, alta de 3,3% sobre a safra anterior. O desempenho é sustentado pelas condições climáticas favoráveis registradas entre janeiro e maio em estados como Alagoas, Pernambuco e Paraíba. No entanto, a intensificação do El Niño passou a reduzir as chuvas em parte da região, especialmente em Alagoas, limitando perspectivas de uma recuperação mais robusta.

O mix alcooleiro também deverá predominar na região, com participação de 54,2%, enquanto o açúcar ficará com 45,8%. A produção de açúcar é estimada em 3,2 milhões de toneladas, alta de 2,5%, e a oferta de etanol deve crescer 22,4%, alcançando 4,2 milhões de metros cúbicos. Entre os destaques está a expansão do etanol de milho, cuja produção deverá atingir 1,9 milhão de metros cúbicos.

Clima seguirá definindo a safra

Apesar da melhora nas estimativas de produção, a StoneX avalia que o comportamento do clima continuará determinante para o resultado final da safra. No Centro-Sul, chuvas acima da média entre setembro e dezembro podem prolongar a colheita e afetar a recuperação de sacarose.

Já no Norte-Nordeste, a evolução das precipitações em agosto será decisiva para confirmar o potencial produtivo da região. A definição desse cenário também será acompanhada pelo mercado, diante dos impactos que uma safra mais alcooleira pode ter sobre a oferta de açúcar e a competitividade do etanol nos próximos meses.

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