Chuva eleva risco de cana ficar para próxima safra no Centro-Sul
FG/A mantém projeção de moagem em 655 milhões de toneladas em 2026/27
A maior disponibilidade de cana no Centro-Sul não garante que todo o volume previsto seja processado na safra 2026/27. A FG/A avalia que o principal risco para o cumprimento da moagem deixou de estar no potencial produtivo das lavouras e passou para o calendário industrial, diante dos efeitos das chuvas sobre o ritmo das operações. A análise consta do Relatório Gerencial de julho de 2026 do FG/AGRO, divulgado recentemente pela gestora.
Segundo o documento, o Centro-Sul processou 313,2 milhões de toneladas de cana até a segunda quinzena de julho, avanço de 2,1% sobre igual período da safra 2025/26. As precipitações acima da média, no entanto, fizeram com que a moagem realizada apenas em julho ficasse 2,9% abaixo da registrada no mesmo mês do ano passado.
As chuvas reduziram o ritmo das operações, mas favoreceram o desenvolvimento dos canaviais. Na avaliação da FG/A, esse cenário reforça a expectativa de disponibilidade de matéria-prima superior à capacidade de processamento das usinas durante a temporada. O ATR médio acumulado chegou a 128 quilos por tonelada, alta de 0,3% na comparação anual.
Calendário industrial passa a concentrar risco
A FG/A mantém a projeção de moagem de 655 milhões de toneladas de cana no Centro-Sul em 2026/27. A combinação entre produtividade e qualidade da matéria-prima sustenta a expectativa de recuperação do potencial produtivo das lavouras, mas aumenta a importância do número de dias disponíveis para a moagem.
De acordo com o Relatório Gerencial de julho, a continuidade das chuvas pode abrir espaço para um cenário de processamento abaixo da projeção. Nesse caso, o ajuste ocorreria pela área que não conseguir ser colhida dentro do calendário industrial, deixando parte da matéria-prima no campo para ser processada na temporada seguinte como cana bisada.
O cenário ocorre após um início de safra marcado por maior direcionamento da matéria-prima para o etanol. Até a segunda quinzena de julho, o mix açucareiro estava em 44,3%, redução de 7,4 pontos percentuais em relação ao ciclo anterior. A produção de açúcar recuou 12,4%, para 16,9 milhões de toneladas.
No sentido oposto, a produção de etanol de cana avançou 18,1%, para 13,2 milhões de metros cúbicos. Considerando também o biocombustível produzido a partir do milho, a fabricação total alcançou 16,3 milhões de metros cúbicos, crescimento de 15,8% sobre o mesmo intervalo da safra passada.
Recuperação do açúcar pode alterar mix
A recuperação das cotações internacionais tende, segundo a FG/A, a alterar novamente a decisão das usinas na reta final da temporada. O relatório avalia que o açúcar deve ganhar prioridade diante do etanol para que as unidades produtoras aproveitem a melhora da remuneração do adoçante.
Até 21 de agosto, os preços do açúcar em Nova York acumulavam valorização mensal de 15,8%, considerando a média dos cinco primeiros contratos, para 17,97 centavos de dólar por libra-peso. Em reais, a média das telas alcançou R$ 2.153 por tonelada, movimento também favorecido pela depreciação cambial.
A FG/A atribui parte da recuperação às preocupações com a produtividade da beterraba na Europa, diante da seca e das altas temperaturas, e à autorização para que a Índia importe 1 milhão de toneladas de açúcar. Os fundos especulativos também mudaram de posição e passaram de um saldo líquido vendido de 120 mil lotes no fim de julho para uma posição líquida comprada de 78 mil lotes na data de divulgação do relatório.
Com maior disponibilidade de matéria-prima e recuperação dos preços do açúcar, o volume efetivamente processado passa a depender também das condições para manter as usinas em operação. A projeção da FG/A permanece em 655 milhões de toneladas, enquanto a persistência das chuvas pode elevar o volume de cana levado para a safra seguinte.
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