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Crédito mais caro amplia pressão financeira sobre o agronegócio

Pedidos de recuperação judicial avançam enquanto agro paulista movimenta R$ 657,6 bilhões

O aumento das recuperações judiciais no agronegócio e a maior pressão financeira sobre produtores entraram no centro das discussões durante reunião do Conselho do Agronegócio da Associação Comercial de São Paulo, a AC/Agro, realizada na segunda-feira (28), em São Paulo – SP. O secretário de Agricultura e Abastecimento do Estado, Geraldo Melo Filho, relacionou parte desse cenário ao encarecimento do crédito.

O agronegócio brasileiro registrou 1.990 pedidos de recuperação judicial em 2025, aumento de 56,4% sobre as 1.272 solicitações contabilizadas no ano anterior, segundo a Serasa Experian. Foi o maior volume desde o início da série histórica da empresa, em 2021. No primeiro trimestre de 2026, foram outros 474 pedidos, avanço de 21,9% em relação ao mesmo período de 2025.

Na avaliação de Melo Filho, a situação financeira de parte dos produtores não decorre de uma redução da capacidade produtiva do campo, mas das condições encontradas para financiar a atividade. “O juro que o produtor paga não se decide na lavoura. É o preço de um país que gasta mais do que arrecada e que cobra essa conta de quem está tentando produzir”, afirmou.

O crédito rural também apresenta sinais de deterioração. Segundo levantamento do BTG Pactual citado durante a apresentação, com base em informações do Banco Central, R$ 207,4 bilhões estavam em julho em situação considerada problemática, incluindo operações em atraso, inadimplentes, prorrogadas ou renegociadas. O montante corresponde a 23,5% de uma carteira de R$ 881,6 bilhões.

Agro paulista movimenta R$ 657,6 bilhões

Ao tratar da economia paulista, Melo Filho destacou a diversificação da produção como um dos fatores de sustentação do setor. O Produto Interno Bruto do agronegócio de São Paulo alcançou R$ 657,6 bilhões em 2024, equivalente a 18,9% do PIB estadual e 24% do PIB do agro brasileiro, segundo os números apresentados pelo secretário.

O Estado reúne mais de 20 cadeias com valor anual superior a R$ 1 bilhão. A cana-de-açúcar aparece na liderança, com R$ 55,2 bilhões, seguida pela carne bovina, com R$ 22,7 bilhões, e pela laranja, com R$ 19,7 bilhões. Frango, café e soja movimentam, respectivamente, R$ 13,7 bilhões, R$ 9,6 bilhões e R$ 8,9 bilhões.

“Essa diversificação é o seguro do Estado: quando uma cadeia entra em crise, São Paulo não para. Conseguimos operar com mais resiliência diante de pressões setoriais”, disse Melo Filho. Segundo os dados apresentados por ele, São Paulo concentra 32,7% da agroindústria brasileira.

Nas exportações, o agronegócio paulista somou US$ 17,79 bilhões entre janeiro e agosto de 2026, conforme os números levados à reunião. O desempenho coloca São Paulo na segunda posição entre os Estados exportadores do setor, atrás de Mato Grosso.

Políticas de apoio entram no debate

Durante a apresentação, Melo Filho também comparou as políticas adotadas pelos governos estadual e federal. Segundo o secretário, houve redução de recursos federais destinados à subvenção do seguro rural e aumento da tributação incidente sobre alguns insumos agrícolas. As afirmações fizeram parte da avaliação apresentada pelo secretário na AC/Agro.

Em São Paulo, os programas estaduais somaram R$ 1,4 bilhão em recursos aplicados no agronegócio até 2025, de acordo com os dados apresentados. Desse total, R$ 1,2 bilhão passou pelo Fundo de Expansão do Agronegócio Paulista, o Feap, com cerca de 33 mil produtores atendidos.

O secretário também citou R$ 390 milhões destinados à subvenção do seguro rural, envolvendo 52.641 apólices, e R$ 180 milhões pelo programa Pró-Trator. Segundo Melo Filho, o Estado ainda promoveu redução da carga tributária de 17 cadeias do agronegócio.

No encerramento, Melo Filho abordou as medidas federais para renegociação das dívidas rurais. Na avaliação dele, critérios associados principalmente a perdas climáticas ou de preços não contemplam integralmente situações enfrentadas em São Paulo. Como exemplo, citou a citricultura, cujo endividamento também é afetado pelo greening, doença que tem provocado perdas nos pomares paulistas.

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