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Faesp leva 4 mil produtores ao GAFFFF e debate desafios do campo

Crédito, assistência técnica e tecnologia pautaram discussões em São Paulo

O Sistema Faesp/Senar mobilizou 4 mil pequenos e médios produtores rurais paulistas para o Global Agribusiness Forum (GAFFFF) 2026, realizado nos dias 1º e 2 de outubro, em São Paulo. Correalizadora do evento, a entidade concentrou parte da programação em questões relacionadas ao acesso ao crédito, seguro rural, assistência técnica, incorporação de tecnologias e alternativas para ampliar a renda nas propriedades.

No segundo dia, o Palco Faesp reuniu representantes do mercado financeiro, especialistas, técnicos e lideranças rurais para discutir dificuldades enfrentadas pelos produtores. A programação também contou com alunos do programa Jovem Empreendedor do Agro (JEA), iniciativa voltada à formação de novas lideranças no setor.

A gestão de riscos esteve entre os principais assuntos. Representantes da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de São Paulo (Faesp), Fundação Getulio Vargas (FGV Agro), Serasa Experian, BB Seguradora, Banco do Brasil e Coopercitrus discutiram a relação entre financiamento, seguro rural e garantias nas operações de crédito.

Outro painel abordou a Assistência Técnica e Gerencial (ATeG), programa do Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar), com foco na combinação entre orientação técnica e administração financeira das propriedades. Participaram da discussão a coordenadora da ATeG do Sistema Faesp/Senar, Ingryd Lanna, e profissionais ligados à assistência rural.

Tecnologia e capacitação ganham espaço

A adoção de novas ferramentas agrícolas também integrou a programação. Um dos debates reuniu representantes do Senar-SP, Sindicato Nacional das Empresas de Aviação Agrícola (Sindag), Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) e empresas do setor para discutir o uso de drones e a formação profissional no campo.

Durante o painel, Bruno Lucci, diretor técnico da CNA, apresentou o Joia, ferramenta de inteligência artificial disponibilizada pelo WhatsApp para facilitar o acesso dos produtores a informações e dados atualizados.

A participação feminina na administração rural foi outro tema abordado. No painel conduzido por Juliana Farah, presidente da Comissão Semeadoras do Agro, foram discutidas questões relacionadas à sucessão familiar, empreendedorismo e participação das mulheres nas decisões das propriedades.

Segundo Juliana, pequenos e médios produtores representam 68% do universo considerado pela entidade. Ela destacou ainda que as mulheres corresponderam a 53% dos alunos do Senar-SP em 2025, resultado que reforça a importância da qualificação profissional feminina no meio rural.

A dirigente também defendeu a ampliação de pesquisas sobre esse público e a adoção de políticas públicas para reduzir as desigualdades no campo.

Origem dos produtos pode ampliar renda rural

A valorização da origem dos alimentos foi discutida em painel moderado pelo presidente do Sistema Faesp/Senar, Tirso Meirelles. O encontro reuniu produtores e representantes de sindicatos rurais para analisar como características regionais, métodos de produção e tradições locais podem contribuir para diferenciar produtos no mercado.

O conceito de terroir, associado às condições naturais e culturais de determinado território, foi apresentado como uma possibilidade de agregação de valor, especialmente para atividades ligadas à produção artesanal e a alimentos com identidade regional.

“Quando conseguimos mostrar ao consumidor que por trás de um queijo, de um café, de uma cachaça, de uma fruta ou de qualquer outro produto existe um território, uma história e uma família que produz, deixamos de vender apenas uma mercadoria. Passamos a entregar origem, identidade e valor”, afirmou Meirelles.

A discussão contou com a participação de Adriana Menezes da Silva, presidente do Sindicato Rural de Itu, Lucy Mara Rocha de Souza, produtora rural, Marco Antonio dos Santos, presidente do Sindicato Rural de Taquaritinga, e Claudinei Minussi, presidente do Sindicato Rural de São José do Rio Pardo. Além dos debates, o evento abriu espaço para produtores de diferentes municípios paulistas apresentarem alimentos, bebidas e produtos artesanais. Entre os expositores estavam empreendimentos de Itu, Ipeúna, Urupês, Taquaritinga, Batatais e São Sebastião da Grama, com produtos como queijos, cafés, cachaças e artigos de couro.

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