Raízen avança na reestruturação após aprovação da CVM
Grupo prepara mudanças societárias e redução de capital de até R$ 35 bilhões
A Raízen deu mais um passo na reorganização de seus negócios com a aprovação, pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM), da mudança de categoria de registro da subsidiária Raízen Energia. A autorização, concedida na segunda-feira (19), antecede a votação de propostas que incluem uma redução de capital de até R$ 35 bilhões e alterações na estrutura acionária do grupo, previstas para 30 de outubro.
A decisão permite que a Raízen Energia passe da categoria B para a categoria A, modalidade que admite a negociação de ações no mercado de capitais. A alteração é uma das condições regulatórias para a reorganização das participações societárias, mas não representa, isoladamente, o início da negociação dos papéis na bolsa.
O procedimento havia sido solicitado em agosto e integra o plano de recuperação extrajudicial da Raízen, homologado pela Justiça de São Paulo em julho. A iniciativa busca reorganizar cerca de R$ 61,4 bilhões em dívidas financeiras, além de estabelecer uma nova estrutura de capital para a companhia, que atua nos mercados de açúcar, etanol, bioenergia e distribuição de combustíveis.
Reorganização prevê novas ações e mudanças na governança
Entre as propostas que serão submetidas aos acionistas está a transferência de valores mobiliários da Raízen Energia, atualmente pertencentes à controladora, por meio de uma redução de capital de até R$ 35 bilhões. A distribuição deverá respeitar a proporção das participações dos investidores e depende das condições estabelecidas no plano de recuperação.
A companhia também pretende ampliar o limite de capital autorizado para até 200 bilhões de ações, permitindo futuras emissões dentro desse teto sem a necessidade de uma nova alteração estatutária. A pauta contempla ainda a criação de classes de ações preferenciais, um programa de units, que reúnem diferentes tipos de papéis, e mudanças na composição do conselho de administração.
As medidas fazem parte de uma reorganização mais ampla, que prevê a separação das atividades de açúcar, etanol e bioenergia das operações de distribuição de combustíveis. A intenção é estabelecer estruturas societárias distintas para os negócios, de acordo com as condições previstas na recuperação extrajudicial.
Plano envolve credores e reestruturação financeira
A recuperação extrajudicial foi homologada em 30 de julho, após obter a adesão de 81,6% dos credores financeiros quirografários, cujos créditos não possuem
garantias específicas. O acordo prevê a possibilidade de conversão de dívidas em participação acionária e a emissão de novos instrumentos financeiros, medidas que poderão alterar a composição do capital do grupo.
O plano também contempla aportes de capital e ajustes na governança, em uma tentativa de reduzir a pressão do endividamento sobre as operações. As medidas buscam adequar os compromissos financeiros à capacidade de geração de caixa da companhia.
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