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Biagi critica cenário nacional e cobra liderança para o Brasil

Empresário vê na Rota Bioceânica novo mercado para etanol e está otimista com setor

A sessão extraordinária do Supremo Tribunal Federal (STF) desta terça-feira (15) terminou sem definição sobre a análise dos procedimentos relacionados aos ministros Alexandre de Moraes e André Mendonça no caso Banco Master. O julgamento foi interrompido por pedido de vista do ministro Flávio Dino, com placar formal de 4 votos a 3 pela manutenção dos casos separados.

O episódio repercutiu no Agrotalk Business, realizado no mesmo dia, em Ribeirão Preto – SP. Durante o evento, Maurílio Biagi, presidente do Grupo Maubisa, criticou o que havia acompanhado ao longo do dia e defendeu maior capacidade de liderança e execução no Brasil. “Hoje nós tivemos um dia que devia envergonhar todos os brasileiros”, afirmou.

A partir da crítica, o empresário comparou a trajetória brasileira com o avanço econômico observado em China, Coreia do Sul e Chile nas últimas décadas. Para ele, o Brasil tem capacidade para realizar grandes projetos, mas precisa transformar esse potencial em resultados. “Eu estou dando aqui um exemplo de como nós somos competentes”, disse. Ao defender maior capacidade de execução no país, acrescentou que “nós conseguimos, é só ter liderança, é só ter quem faz”.

Rota pode abrir mercado para etanol brasileiro

Promovido pela plataforma Agrotalk Meeting e organizado pela AGX Estratégias, o Agrotalk Business discutiu a Rota Bioceânica e seus possíveis efeitos sobre a logística, a bioenergia e o comércio internacional.

O corredor pretende conectar regiões produtoras brasileiras aos portos do norte do Chile, ampliando as alternativas de acesso aos mercados asiáticos. Para Biagi, a nova infraestrutura pode ganhar relevância também para o escoamento de biocombustíveis produzidos no país.

“Eu acho que abre um mercado muito grande para o etanol brasileiro”, afirmou. Na avaliação do empresário, a possibilidade ganha importância diante do aumento da capacidade produtiva, tanto no etanol de cana-de-açúcar quanto no de milho, e da necessidade de absorver uma oferta maior nos próximos anos.

Chuva deve aumentar volume de cana bisada

Na avaliação sobre a safra, as chuvas têm dificultado o avanço da colheita. Segundo Biagi, no período do corte manual, precipitações leves ainda permitiam manter as operações, situação que mudou com a mecanização. “Todo mundo vai ficar com cana bisada, uns mais, outros menos, e isso é ruim”, afirmou.

No mercado, o empresário vê reação nos preços do açúcar e, em menor intensidade, do etanol, depois de um período de maior pressão. “O setor passou um período muito perigoso. Agora está aparentemente saindo desse período, um pouco até graças ao que não está conseguindo produzir”, disse.

Uma aceleração da produção ainda pode mudar esse cenário. Mesmo assim, a perspectiva é positiva. “Eu acho que está tendendo para a normalização, eu estou otimista”.

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