Tarcísio defende bioenergia e anuncia medidas para setor em SP
Governador destaca transição energética e promete reduzir assimetrias no setor
A cadeia sucroenergética terá papel estratégico na substituição de combustíveis fósseis e na expansão de novas fontes renováveis no país, afirmou o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, durante a abertura da 32ª Fenasucro & Agrocana, na terça-feira (11) – Sertãozinho – SP. Em seu discurso, ele também reconheceu as dificuldades enfrentadas pelo setor e anunciou medidas para reduzir distorções que afetam sua competitividade.
Tarcísio destacou o potencial da cana-de-açúcar para atender mercados que buscam alternativas de menor emissão de carbono. Entre as oportunidades, citou o avanço do etanol, do biometano, do combustível sustentável de aviação, o SAF, e de soluções renováveis destinadas ao transporte marítimo.
“Uma das vocações do Brasil é a transição energética”, afirmou. Segundo o governador, o desenvolvimento tecnológico acumulado pelo setor desde a criação do Proálcool colocou o país em posição privilegiada para ampliar sua participação nesse mercado. Ele ressaltou ainda o aproveitamento da cana para diferentes produtos, como açúcar, etanol de segunda geração, biofertilizantes, biogás e biometano.
O biometano recebeu atenção especial. Tarcísio afirmou que o combustível já começa a chegar a regiões como Ribeirão Preto e defendeu sua utilização em veículos pesados. “São Paulo vai ser a primeira unidade da federação a substituir o diesel. A gente vai ter os nossos veículos pesados movidos a biometano”, disse.
Competitividade entra no debate
Ao mesmo tempo em que ressaltou as oportunidades abertas pela transição energética, o governador reconheceu que o setor atravessa dificuldades. Um dos pontos levantados foi a diferença de tratamento entre produtores paulistas e de outras regiões do país.
O governador criticou o subsídio federal destinado aos produtores de cana do Nordeste afetados pelas tarifas impostas pelos Estados Unidos às exportações brasileiras. O benefício previsto é de R$ 12 por tonelada de cana comercializada na safra 2025/26. “Recentemente o governo federal estabeleceu os subsídios para os produtores de cana do Nordeste e eles esqueceram os produtores de cana de São Paulo. E isso não faz o menor sentido”, afirmou.
Outro ponto abordado foi a diferença tributária em relação a outros Estados produtores, especialmente no etanol de milho. Segundo Tarcísio, essa situação tem reduzido a competitividade da cadeia paulista. O governo estadual pretende criar um grupo de trabalho com representantes das secretarias da Fazenda, Casa Civil e Agricultura e Abastecimento, além do próprio setor, para discutir alternativas.
“A gente precisa diminuir uma assimetria que temos com relação a outros estados produtores, sobretudo de etanol de milho. Isso tem drenado competitividade do nosso setor, principalmente da cana-de-açúcar e do Estado de São Paulo”, disse.
O governador também colocou o combate à sonegação entre as frentes consideradas necessárias para melhorar o ambiente competitivo. Segundo ele, o Estado já realizou operações e adotou novos regimes de fiscalização, mas pretende avançar nas medidas.
Fornecedor de cana ganha espaço nas medidas
Tarcísio ressaltou que as ações não devem ficar concentradas nas unidades industriais. “A gente não pode pensar só na usina. A gente tem que pensar no fornecedor”, afirmou, ao defender que produtores e indústria sejam considerados conjuntamente nas políticas destinadas à cadeia sucroenergética.
Entre as iniciativas mencionadas está o trabalho para enquadrar produtores de cana, amendoim e laranja nas exigências de uma medida provisória citada pelo governador, com o objetivo de permitir acesso a mecanismos de renegociação de dívidas. A numeração da medida não está clara na decupagem disponível.
Na abertura da feira, Tarcísio também afirmou que o Estado já avançou na questão tributária envolvendo o etanol anidro, com efeitos esperados a partir do próximo ano. As discussões sobre competitividade deverão prosseguir no grupo de trabalho anunciado pelo governo paulista, que terá entre seus desafios avaliar as assimetrias apontadas pelo setor e seus impactos sobre fornecedores e indústria.
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