Distribuição de insumos discute crédito, tecnologia e bioenergia
Congresso Andav debate mudanças no setor e perspectivas para o agro
O mercado de distribuição de insumos agropecuários discute nesta semana, em São Paulo, alternativas para ampliar a eficiência das operações diante das mudanças no crédito, do avanço de novas tecnologias e da necessidade de aperfeiçoar os serviços oferecidos aos produtores rurais. Os temas estão entre os principais pontos do 15º Congresso Andav, iniciado nesta terça-feira (11).
Promovido pela Associação Nacional dos Distribuidores de Insumos Agrícolas e Veterinários (Andav), o evento reúne mais de 260 marcas e tem expectativa de receber 18,5 mil participantes. Na abertura, o secretário-executivo da Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, Diógenes Kassaoka, afirmou que a distribuição de insumos movimenta mais de R$ 160 bilhões por ano.
As discussões do primeiro dia indicaram uma mudança no papel das distribuidoras, que tende a avançar além da comercialização de produtos e incorporar serviços, tecnologia, análise de dados e apoio às decisões no campo.
“As tecnologias vão reduzir o uso de insumos e o distribuidor do futuro será cada vez mais um parceiro de inteligência aplicada”, afirmou Ingo Plöger, presidente da Associação Brasileira do Agronegócio (ABAG).
Crédito mantém espaço na relação com o produtor
O financiamento ao produtor também entrou no debate. Para Antonio Botelho, CEO da Agrológica, as distribuidoras podem continuar atuando nessa frente por conhecerem o histórico e a realidade de seus clientes.
“Temos a proximidade com o cliente, experiência em fazer isso e, neste momento, o produtor precisa desse apoio. O desafio é aperfeiçoar os mecanismos de análise e financiamento para tornar esse modelo mais eficiente e sustentável”, afirmou.
Na abertura do congresso, o diretor de Negócios e Inovação Tecnológica da Embrapa, Alexandre Alonso Alves, destacou ainda a capacidade das empresas de distribuição de identificar demandas dos produtores e levar novas tecnologias ao campo.
Bioenergia amplia demanda por matérias-primas
A expansão da bioenergia foi apontada como uma das principais transformações estruturais do agronegócio brasileiro durante o painel dedicado aos cenários e oportunidades para o setor, moderado por Marcos Fava Neves, chanceler da Harven Agribusiness School. A discussão abordou como o crescimento dos biocombustíveis amplia a conexão entre produção agrícola, indústria, energia, alimentação animal, logística e desenvolvimento regional.
“A cadeia dos biocombustíveis não é uma pauta das usinas, mas de todo o agro”, afirmou João Marcelo Dumoncel, CEO da 3tentos. Segundo ele, o setor cria uma demanda adicional e mais previsível por soja, milho e outras matérias-primas, beneficiando o produtor rural e abrindo novas possibilidades de agregação de valor no país.
Para Janaína Lemes, vice-presidente da Unibio MT e líder em Biocombustíveis na Caramuru, a complementaridade entre biocombustíveis, produção de grãos, alimentação animal e outros derivados cria uma lógica de economia circular, capaz de estimular investimentos, empregos, diversificação de culturas e melhor aproveitamento da produção agrícola.
Commodities podem entrar em novo ciclo de alta
No encerramento do primeiro dia, o economista Ricardo Amorim projetou um novo ciclo de valorização das commodities agrícolas. A avaliação considera fatores como a alta do petróleo, os conflitos internacionais e os efeitos das tarifas comerciais adotadas pelos Estados Unidos.
Segundo Amorim, a estratégia norte-americana de reduzir importações e estimular a produção doméstica contribui para a desvalorização do dólar, fortalecendo outras moedas e ampliando o poder de compra internacional de commodities, o que tende a sustentar a demanda e os preços.
Durante o evento, a advogada especialista em Direito Socioambiental Samanta Pineda também foi homenageada com o Prêmio Andav de Reconhecimento, na categoria Defesa do Setor. A premiação foi entregue pelo presidente executivo da Andav, Paulo Tiburcio, em reconhecimento à contribuição da advogada na defesa do agronegócio brasileiro.
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