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Produtor sustenta setor sob custo alto e clima adverso

Abertura do Cana Summit reúne lideranças e aponta desafios

Na abertura do Cana Summit 2026, realizado em Ribeirão Preto – SP, nos dias 15 e 16 de abril, lideranças do setor sucroenergético destacaram o papel do produtor de cana-de-açúcar diante de um cenário marcado por custos elevados, desafios climáticos e mudanças regulatórias. O evento, realizado no Taiwan Centro de Eventos, também celebrou os 50 anos da ORPLANA.

O presidente do Conselho Deliberativo da ORPLANA, Roberto Cestari, afirmou que o produtor segue como base do setor mesmo em um ambiente de alta volatilidade. “É o produtor que acorda cedo, assume risco, enfrenta custo alto, clima incerto e ainda entrega resultado”, disse. Segundo ele, a atividade funciona como uma empresa a céu aberto, exposta a fatores externos e dependente de eficiência constante.

Cestari ressaltou que a resiliência no campo sustenta a cadeia produtiva e defendeu avanços estruturais. Para ele, o setor precisa de maior transparência, previsibilidade e relações mais maduras entre os agentes. Também destacou a necessidade de ampliar o uso de tecnologia para garantir ganhos de produtividade. “Quem não evolui perde competitividade, e o Brasil não pode ficar atrás”, afirmou, ao reforçar a importância do alinhamento entre produtores, indústria e demais elos da cadeia.

Na mesma linha, o CEO da ORPLANA, José Guilherme Nogueira, destacou que o papel do produtor vai além da produção agrícola, envolvendo a oferta de alimento, energia e desenvolvimento social. Segundo ele, a canavicultura reúne atividades estratégicas como açúcar e etanol, mas enfrenta pressões relacionadas a custos, cenário geopolítico e insumos como o diesel, fatores que impactam diretamente a competitividade.

Nogueira também enfatizou a importância da organização coletiva por meio das associações, responsáveis pela interlocução institucional e pela defesa de pautas estruturantes, como o RenovaBio. Na avaliação dele, essa atuação contribui para maior previsibilidade no ambiente de negócios.

Produtividade e ambiente regulatório entram no foco

O secretário da Agricultura de São Paulo, Geraldo Melo Filho, destacou a própria origem no campo ao comentar os desafios da produção. Segundo ele, o contato recente com produtores e indústrias ampliou a percepção sobre gargalos do setor, especialmente em relação à produtividade. Na avaliação do secretário, recompor ganhos produtivos é um dos principais desafios, diante de custos elevados, variáveis climáticas e necessidade de inovação tecnológica.

Já o deputado federal Arnaldo Jardim afirmou que o setor vive um ciclo de expansão regulatória e produtiva, com avanços em políticas públicas como o RenovaBio, a lei de bioinsumos e discussões sobre cultivares. Ele destacou ainda o crescimento da ORPLANA e a ampliação da atuação da entidade para além de São Paulo.

O parlamentar também defendeu o aumento da mistura de etanol na gasolina para 32%, reforçando o papel do biocombustível na matriz energética. Segundo ele, a cana-de-açúcar ampliou sua relevância ao incorporar etanol, bioeletricidade e biometano, consolidando-se como vetor estratégico na transição energética. Jardim também mencionou as discussões sobre o modelo de remuneração do setor, com expectativa de maior equilíbrio no Consecana-SP.

Integração, crédito e transição energética moldam cenário

No campo da política pública, o governador de Mato Grosso do Sul, Eduardo Riedel, defendeu a integração regional, ganhos de produtividade e inovação tecnológica como pilares para o avanço da bioenergia. Segundo ele, a cooperação entre estados produtores é fundamental para sustentar o crescimento da cadeia.

Riedel destacou o papel crescente de Mato Grosso do Sul no setor, responsável por 13,5% da produção nacional de etanol de cana, com 22 unidades industriais e cerca de 800 mil hectares cultivados. Para a safra 2025/26, a projeção é de 52 milhões de toneladas de cana, com produção estimada em 5 bilhões de litros de etanol e 2,1 milhões de toneladas de açúcar.

No cenário macroeconômico, representantes do setor apontaram que o ambiente segue pressionado por juros elevados, atualmente em 14,75%, além de crédito restritivo e aumento do endividamento no campo. A avaliação é de que essas condições limitam investimentos e dificultam a recomposição de caixa dos produtores.

Também foram citadas incertezas regulatórias, como mudanças na tributação do arrendamento rural e propostas trabalhistas, que podem impactar diretamente a cadeia produtiva. Ainda assim, o setor vê oportunidade na agenda de transição energética, com destaque para biocombustíveis como etanol, biodiesel e biometano.

Encerrando a abertura, o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, destacou políticas voltadas ao fortalecimento do produtor rural, com investimentos superiores a R$ 200 milhões. As ações incluem ampliação das compras públicas da agricultura familiar, estímulo à bioenergia e iniciativas voltadas ao etanol e ao biometano.

Segundo ele, o Estado também avança na adoção de tecnologias, como o uso de etanol em máquinas agrícolas e caminhões, além de projetos para ampliar o uso do biometano. A estratégia busca aumentar a participação de combustíveis renováveis e reforçar o papel da cana-de-açúcar na matriz energética.

O Cana Summit 2026 reuniu cerca de 1,2 mil participantes e reforçou o papel do evento como espaço de articulação entre produtores, indústria e formuladores de políticas públicas, em um momento considerado decisivo para o futuro do setor sucroenergético.

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