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Biocarvão eleva biomassa de agave em até 60%, diz estudo

Uso do biochar acelera crescimento e amplia potencial energético

O uso de biocarvão no cultivo de agave pode elevar em até 60% a biomassa vegetal e reduzir o tempo inicial de desenvolvimento da cultura, apontam pesquisadores brasileiros. O avanço é relevante para ampliar o uso da planta na produção de biocombustíveis e no sequestro de carbono, especialmente em regiões semiáridas, segundo informações da Agência FAPESP.

Introduzido na Bahia no início do século 20, o gênero Agave, de origem mexicana, dá origem a produtos como fibra do sisal, tequila, néctares e adoçantes. No Brasil, a principal espécie cultivada é a Agave sisalana, utilizada na produção de fibra. O país lidera a produção mundial, com 93 mil toneladas em 2024, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Mais recentemente, diferentes espécies de Agave passaram a ser estudadas como fonte de biocombustíveis, embora o tempo inicial de crescimento ainda seja um dos principais desafios para a expansão do cultivo com essa finalidade.

Um dos entraves para essa expansão é o crescimento inicial lento. Estudos indicam que o ciclo até o pleno desenvolvimento pode levar entre 2,5 e 3 anos, o que reduz a atratividade econômica em comparação com outras culturas energéticas.

Biochar acelera desenvolvimento

Para enfrentar esse desafio, pesquisadores testaram o uso de biocarvão, material rico em carbono obtido por pirólise de biomassa. Os experimentos indicam que doses moderadas do insumo podem acelerar o desenvolvimento da planta e melhorar a qualidade do solo.

Nos testes, o biocarvão foi produzido a partir de três fontes de biomassa, incluindo bagaço de cana-de-açúcar, resíduos de café e o próprio agave. Em condições controladas, aplicações entre 5% e 10% do volume do solo apresentaram os melhores resultados.

Além do ganho de até 60% na biomassa, os pesquisadores observaram aumento da área foliar e maior atividade microbiana. Já concentrações mais elevadas, como 20%, não trouxeram benefícios adicionais e, em alguns casos, reduziram o crescimento das plantas.

Os efeitos positivos estão associados à melhoria da microbiota do solo e à maior disponibilidade de nutrientes. A interação entre raízes e microrganismos favorece processos enzimáticos que ampliam a absorção de elementos essenciais para o desenvolvimento vegetal.

Outro fator relevante é a variabilidade dos solos. Resultados indicam maior eficiência do biocarvão em solos tropicais e arenosos, enquanto áreas com maior teor de matéria orgânica tendem a apresentar resposta limitada.

Energia e créditos de carbono

Além do impacto agronômico, o uso do biocarvão está associado a novas rotas de monetização no setor energético. O agave pode ser utilizado para produção de etanol, biogás e gases industriais, ampliando o portfólio de produtos derivados da cultura.

O biocarvão também se destaca pelo potencial de geração de créditos de carbono. Quando incorporado ao solo, o material atua como reservatório estável de carbono, com valor crescente no mercado internacional. Estimativas indicam negociações entre US$ 200 e US$ 500 por tonelada, dependendo do contrato.

No Brasil, a estruturação de normas técnicas para o biocarvão está em discussão, com foco em padronização e uso em escala comercial. O artigo Influence of biochar on Agave development and on soil characteristics from a brazilian semi-arid region pode ser lido aqui.

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