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Murcha pressiona canaviais e exige manejo contínuo no campo

Complexo afeta produtividade, ATR e qualidade da cana-de-açúcar

O avanço do complexo de murcha tem aumentado a preocupação de produtores e usinas nas regiões canavieiras do Centro-Sul. Associado à interação entre fungos, estresses ambientais e condições fisiológicas da planta, o problema compromete tanto a produtividade quanto a qualidade industrial da cana-de-açúcar, dificultando o manejo e elevando os custos operacionais ao longo da safra 2026/27.

Segundo Luiz Henrique Marcandalli, head de marketing da Rainbow Agro, diferentemente de doenças causadas por um único agente, o complexo de murcha envolve fatores múltiplos que favorecem o avanço silencioso da deterioração dos colmos. Estresse hídrico, oscilações de temperatura e avanço da maturação estão entre as condições que ampliam a incidência do problema nos canaviais.

Os sintomas iniciais costumam surgir de forma discreta, com perda de vigor da planta e murchamento dos colmos. Com a evolução do quadro, podem ocorrer seca das folhas, avermelhamento dos entrenós, alteração na coloração interna do colmo e até odor de fermentação. Em muitos casos, a identificação depende da abertura do colmo para avaliação de áreas escurecidas, bandas brancas e sinais de apodrecimento interno.

Monitoramento e manejo ganham importância

De acordo com Marcandalli, o comprometimento fisiológico reduz o transporte de água e nutrientes, afetando diretamente o desenvolvimento da planta. Estimativas indicam que cada 1% de incidência do complexo pode gerar perdas de até 0,75 tonelada por hectare, podendo alcançar 1,6 t/ha em situações mais severas.

Além da redução do volume produzido, o complexo também impacta indicadores industriais relevantes para o setor sucroenergético, como ATR e Brix. A deterioração da matéria-prima compromete a eficiência industrial e pode reduzir o valor final da produção entregue às usinas, ampliando os prejuízos ao longo da cadeia.

O monitoramento frequente dos talhões aparece como uma das principais estratégias para reduzir os impactos da doença. A avaliação técnica da lavoura, aliada à análise interna dos colmos e ao acompanhamento das condições ambientais, permite identificar focos com antecedência e direcionar decisões de manejo. Em áreas mais comprometidas, a antecipação da colheita pode minimizar perdas produtivas e industriais.

O manejo do complexo de murcha também exige planejamento integrado durante todo o ciclo produtivo. Entre as práticas recomendadas estão o acompanhamento do histórico da área, o uso adequado de fungicidas, a definição correta do momento de aplicação e a adoção de estratégias voltadas à redução do estresse das plantas.

Para especialistas do setor, a resposta ao avanço da murcha depende menos de ações isoladas e mais da combinação entre monitoramento, manejo técnico e rapidez na tomada de decisão. A tendência é que eventos climáticos extremos, como períodos prolongados de seca e oscilações térmicas, aumentem a pressão sobre os canaviais e reforcem a necessidade de estratégias preventivas nas próximas safras.

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