Hedge ganha espaço na gestão de risco do mercado de açúcar
Especialista diz que disciplina e proteção de margem são decisivas em cenário volátil
A volatilidade dos preços do açúcar, do câmbio e das condições macroeconômicas tem reforçado a importância das estratégias de hedge para empresas ligadas ao setor sucroenergético. Mais do que uma ferramenta financeira, a proteção de preços tornou-se um instrumento de preservação de margens e de redução de incertezas em um ambiente marcado por oscilações frequentes nos mercados globais.
Em artigo publicado recentemente, o diretor da Archer Consulting, Arnaldo Luiz Corrêa, relaciona a gestão de risco no mercado de açúcar aos princípios do estoicismo, filosofia que defende a distinção entre aquilo que está sob controle das pessoas e aquilo que depende de fatores externos. Segundo ele, a mesma lógica pode ser aplicada às decisões comerciais das empresas.
“O objetivo não é controlar os acontecimentos. O objetivo é controlar a própria reação diante deles”, afirma Corrêa. Para o especialista, o hedge não deve ser encarado como uma tentativa de prever os pontos máximos ou mínimos do mercado, mas como uma estratégia para proteger resultados financeiros e dar previsibilidade às operações.
Gestão de risco exige disciplina
Na avaliação do autor, variáveis como clima, conflitos geopolíticos, juros internacionais, comportamento dos fundos de investimento e oscilações cambiais escapam ao controle das empresas. Por outro lado, decisões relacionadas à qualidade das análises, à disciplina na execução das estratégias e à gestão dos riscos dependem diretamente dos gestores.
“Nenhum gestor controla o mercado. Nenhum diretor comercial controla o clima. O que controlamos é a qualidade da análise, a disciplina na execução e a consistência da gestão de risco”, destaca.
O consultor ressalta que a proteção de preços não busca eliminar riscos, mas reduzir a exposição das empresas às oscilações do mercado. Essa abordagem tem ganhado relevância no setor sucroenergético, especialmente em um contexto de maior incerteza sobre preços internacionais e margens de comercialização.
Além disso, estudos sobre derivativos agropecuários mostram que mecanismos de hedge desempenham papel importante na mitigação dos riscos associados à volatilidade de preços, contribuindo para a estabilidade financeira dos agentes do agronegócio.
Empresas buscam maior capacidade de adaptação
Outro conceito destacado pelo especialista é o de antifragilidade, segundo o qual algumas organizações não apenas resistem a períodos de turbulência, mas conseguem aprimorar seus processos e fortalecer sua estrutura diante das adversidades.
Segundo Corrêa, empresas que combinam disciplina, liquidez, diversificação de clientes e gestão de risco tendem a desenvolver maior capacidade de adaptação. “O frágil teme o caos, o robusto suporta o caos e o antifrágil prospera com o caos”, afirma.
Em sua análise mais recente do mercado, o especialista observa que o contrato julho de 2026 do açúcar bruto passou de 14,06 centavos de dólar por libra-peso para 13,61 centavos nas últimas semanas, enquanto o câmbio avançou de R$ 5,03 para R$ 5,16 por dólar. Para ele, movimentos como esses reforçam a necessidade de estratégias consistentes de proteção e acompanhamento permanente das condições de mercado.
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