Demanda por diesel B perde ritmo, mas deve crescer pelo décimo ano
StoneX reduz projeção para 2026, enquanto agro e logística seguem sustentando o consumo
As vendas de diesel B no Brasil continuam em trajetória de crescimento em 2026, embora em ritmo mais moderado do que o previsto no início do ano. A avaliação é da StoneX, que revisou de 1,9% para 1,6% a projeção de expansão da demanda pelo combustível, diante dos primeiros sinais de desaceleração da atividade econômica. Ainda assim, o mercado deve registrar o décimo ano consecutivo de crescimento.
Entre janeiro e maio, as vendas de diesel B somaram 28,1 milhões de m³, alta de 1,5% em relação ao mesmo período de 2025, segundo dados da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP). O desempenho foi impulsionado pela colheita de soja e milho de verão, além do avanço das exportações da indústria e do setor extrativo, fatores que elevaram a demanda por transporte de cargas, principalmente no Centro-Sul.
No entanto, os números de maio indicaram perda de fôlego no consumo. Segundo a consultoria, o movimento reflete os efeitos das pressões inflacionárias sobre a economia brasileira, levando ao ajuste das estimativas para o restante do ano. A expectativa agora é de um volume total de 70,6 milhões de m³ comercializados em 2026.
Agro mantém demanda aquecida
Apesar da revisão, a StoneX avalia que o mercado continuará sustentado pelo desempenho do agronegócio e da logística. Segundo Bruno Cordeiro, especialista de Inteligência de Mercado da empresa, a expansão das vendas demonstra a capacidade de reação desses segmentos diante de um ambiente econômico mais desafiador.
“A despeito da revisão, seguimos projetando um crescimento consistente nas vendas de diesel B em 2026, o que marca o décimo ano consecutivo de avanço. Esse desempenho reflete a resiliência dos setores agroindustrial e de transportes no país”, afirma.
Regionalmente, Minas Gerais, Santa Catarina e São Paulo devem concentrar o maior crescimento absoluto da demanda, beneficiados pelo avanço das safras e da atividade econômica. Em São Paulo, o consumo também é favorecido pelo escoamento da produção agrícola proveniente do Centro-Oeste. Já nessa região, a expectativa é de crescimento mais moderado em razão da menor oferta de grãos, enquanto Norte e Nordeste devem apresentar evolução mais significativa, com destaque para Pará, Maranhão e Ceará.
Diesel A e biodiesel seguem em cenários distintos
No mercado de diesel A, a oferta continua influenciada pelo cenário geopolítico internacional. O conflito no Oriente Médio reduziu a disponibilidade global de petróleo e derivados, elevando custos e dificultando as importações brasileiras. Como resposta, as refinarias nacionais ampliaram a produção, atingindo nível recorde em março, enquanto as importações cresceram entre abril e maio, impulsionadas principalmente pelo diesel russo.
Para os próximos meses, entretanto, a StoneX prevê redução da produção doméstica em função de paradas programadas para manutenção das refinarias e de revisões técnicas decorrentes da elevada utilização registrada no primeiro trimestre. Segundo a consultoria, a evolução da oferta internacional continuará sendo um fator determinante para o abastecimento do mercado brasileiro.
No segmento de biodiesel, as vendas alcançaram 4,1 milhões de m³ entre janeiro e maio, avanço de 8% na comparação anual, impulsionado pelo aumento do teor obrigatório de mistura ao diesel. Ainda assim, a consultoria revisou para baixo sua estimativa para 2026, passando a projetar produção de 10,36 milhões de m³, crescimento de 6,8% sobre 2025. Segundo a especialista Isabela Garcia, a indefinição sobre a adoção da mistura obrigatória de 16% limita o potencial de expansão do setor. Ao mesmo tempo, a composição das matérias-primas segue em transformação: o óleo de soja elevou sua participação para 87,8% da produção de biodiesel em maio, enquanto o uso de sebo bovino perdeu espaço com a retomada das exportações brasileiras do insumo
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