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Açúcar sobe com chuvas no Brasil e incertezas sobre a oferta global

Clima reduz ritmo da moagem e reforça alta nas bolsas internacionais

As cotações do açúcar encerraram junho em alta nas bolsas internacionais, refletindo uma combinação de fatores que voltou a colocar a oferta global no centro das atenções. No Brasil, as chuvas sobre áreas produtoras do Centro-Sul interromperam parte da colheita e reduziram o ritmo de moagem da cana. No exterior, a preocupação com o desenvolvimento das monções na Índia e o vencimento do contrato de julho em Nova York ampliaram a volatilidade e deram sustentação aos preços.

Em Nova York, o açúcar bruto avançou mais de 2% em uma das sessões da semana, enquanto o açúcar branco negociado em Londres atingiu o maior patamar em cerca de nove meses e meio. O movimento interrompe um período de maior pressão sobre as cotações e mostra que o mercado voltou a reagir a riscos climáticos que podem alterar as projeções de oferta para a safra 2026/27.

Embora as chuvas sejam consideradas positivas para o desenvolvimento dos canaviais no médio prazo, elas dificultam o avanço das frentes de colheita e o transporte da matéria-prima até as unidades industriais. Como consequência, o volume processado pelas usinas tende a diminuir temporariamente, reduzindo a disponibilidade de açúcar no curto prazo.

Clima muda percepção do mercado

A paralisação parcial das operações no Centro-Sul também repercutiu no mercado doméstico de combustíveis. Com menor oferta imediata de cana para processamento, os preços do etanol reagiram, reduzindo parte da pressão observada nas últimas semanas sobre o biocombustível.

Esse comportamento reforça a atenção dos agentes para o mix de produção das usinas. Embora a fabricação de açúcar continue oferecendo maior rentabilidade em boa parte da safra, oscilações nos preços do etanol e eventuais interrupções na moagem podem influenciar as decisões industriais ao longo das próximas semanas.

Outro fator acompanhado pelos investidores foi o vencimento do contrato de julho na bolsa de Nova York, período em que fundos e tradings costumam ajustar posições, aumentando a volatilidade dos preços independentemente dos fundamentos do mercado físico.

Índia amplia incertezas

No cenário internacional, as condições climáticas na Índia seguem entre os principais fatores de preocupação. O desempenho irregular das monções levanta dúvidas sobre o potencial produtivo do país, segundo maior produtor mundial de açúcar, e pode limitar a oferta disponível para exportação caso o clima permaneça desfavorável.

Além da Índia, operadores monitoram o desenvolvimento das lavouras em outros importantes fornecedores, como Tailândia e União Europeia, em busca de sinais que possam alterar o equilíbrio entre oferta e demanda no mercado global.

Para os próximos meses, a evolução da safra brasileira continuará sendo determinante para o comportamento das cotações. O mercado deverá acompanhar a retomada da moagem após o período chuvoso e os próximos levantamentos de produção, que indicarão se os atrasos observados no fim de junho terão impacto relevante sobre a disponibilidade de açúcar na safra 2026/27.

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