Censo Varietal aponta menor renovação dos canaviais paulistas
Levantamento reúne dados de 239 unidades e 5,8 milhões de hectares
A renovação dos canaviais paulistas segue abaixo da média histórica, indicando um ritmo mais lento de substituição das áreas em produção. Os resultados parciais do Censo Varietal 2026 mostram Relação Plantio/Cultivo (RPC) de 16,0% em São Paulo, inferior à média de 16,9% registrada nas últimas 41 safras. Coordenado pelo Programa Cana IAC, o levantamento reúne informações de 239 questionários respondidos e já abrange 5,8 milhões de hectares, formando o maior banco de dados sobre variedades de cana-de-açúcar do país.
Os números foram apresentados durante a 9ª Reunião Técnica Regional do IAC, realizada nesta terça-feira (21), em Ribeirão Preto – SP, e revelam diferenças importantes entre as regiões produtoras. Jaú registra a maior taxa de renovação, com RPC de 18,2%, seguida por Assis (17,5%) e Araçatuba (17,1%). Na outra ponta aparecem São José do Rio Preto (15,0%), Piracicaba (14,8%) e Ribeirão Preto (14,0%), todas abaixo da média estadual.
Coordenador do Censo Varietal, Rubens Leite do Canto Braga Júnior destacou que o trabalho busca ampliar o conhecimento sobre a distribuição das variedades cultivadas no país. “Levantar informações sobre as áreas com variedades de cana no maior número possível de unidades produtoras (usinas, destilarias, fornecedores etc.) de cana-de-açúcar no Brasil”, resumiu.
Produtividade acompanha idade do canavial
A RPC mede a participação da área renovada em relação à área total cultivada e é um dos principais indicadores da idade dos canaviais. Quanto maior o índice, maior tende a ser a permanência de áreas antigas, com reflexos sobre produtividade e potencial de adoção de novas variedades.
Os dados históricos mostram esse impacto. Considerando a média das últimas dez safras, áreas de primeiro corte produzem 94,8 toneladas por hectare. A partir do terceiro corte, a produtividade média recua para 64,7 toneladas por hectare. O Estágio Médio de Corte (EMC), indicador que acompanha a idade dos canaviais, acumula série histórica de 38 safras e média de 3,39 cortes na região Centro-Sul.
Base de dados orienta decisões
Além de acompanhar a renovação dos canaviais, o Censo Varietal monitora a distribuição das cultivares utilizadas por usinas, destilarias e fornecedores. As informações servem de base para programas de melhoramento genético, planejamento agrícola e avaliação da adoção de novos materiais em diferentes ambientes de produção.
Nesta etapa, o levantamento contabiliza 239 questionários respondidos e 5,8 milhões de hectares recenseados. A coleta de dados sobre áreas cultivadas começou em abril. Em setembro será realizada a pesquisa de intenção de plantio das variedades e, em novembro, será concluída a coleta na região Centro-Sul quando do início do levantamento nas regiões Norte e Nordeste. Os próximos resultados devem indicar se a renovação dos canaviais ganhará ritmo na safra 2027/28 e como os produtores estão distribuindo as novas variedades diante dos desafios de produtividade, clima e sanidade das lavouras. Vale destacar a maior diversificação das variedades utilizadas pelos produtores paulistas. Nos plantios realizados entre abril/2025 e março/2026, seis variedades obtiveram porcentagens entre 5 e 10% das áreas
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