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Polarização preocupa setor sucroenergético, diz Roberto Rodrigues

Ex-ministro cita Consecana e aponta articulação como desafio para a cadeia

A polarização das discussões dentro e fora do agronegócio preocupa o ex-ministro da Agricultura Roberto Rodrigues, que vê na capacidade de articulação entre os diferentes elos da cadeia um dos pontos importantes para o avanço do setor sucroenergético.

Professor emérito da FGV e ministro da Agricultura entre 2003 e 2006, Rodrigues apresentou sua avaliação durante o 5º Congresso Global Cana, realizado recentemente em Ribeirão Preto – SP. Ele participou do painel “Os Imortais do Agro”, ao lado do publicitário, jornalista e conferencista internacional José Luiz Tejon.

Segundo Rodrigues, o ambiente de divisão observado no Brasil e no exterior dificulta a construção de consensos e também alcança as cadeias produtivas. No caso da cana-de-açúcar, ele relacionou o momento atual à longa trajetória de organização institucional do setor.

O ex-ministro lembrou que a atividade atravessou diferentes modelos ao longo das últimas décadas, desde períodos de forte participação do Estado até a criação de mecanismos próprios de relacionamento entre os agentes da cadeia.

Consecana entra na discussão sobre articulação

Foi nesse contexto que Rodrigues citou o Consecana, sistema que estabelece parâmetros para a remuneração da cana-de-açúcar e cuja metodologia está no centro de discussões entre representantes dos diferentes elos da cadeia.

O professor destacou a importância histórica do modelo para o setor e lembrou que, durante sua passagem pelo Ministério da Agricultura, tentou desenvolver mecanismos semelhantes para outras atividades do agronegócio. “O Consecana foi a coisa mais extraordinária criada pelo setor canavieiro”, afirmou.

Segundo o ex-ministro, houve tentativas de construir acordos semelhantes para cadeias como soja e milho, mas as iniciativas não avançaram da mesma forma. Ao analisar o momento atual, Rodrigues manifestou preocupação com as divergências em torno do sistema. “Acho que nós estamos jogando fora o Consecana”, disse. Em outro momento, classificou o mecanismo como “um exemplo para o mundo”.

A posição integrou uma análise mais ampla sobre a necessidade de diálogo entre os agentes da cadeia. Para ele, as divergências podem dificultar a construção de soluções conjuntas em um período de mudanças importantes para o setor.

Debate amplia olhar sobre os desafios do setor

Na parte final do painel, Luiz Carlos Corrêa Carvalho, o Caio Carvalho, diretor da Canaplan, e José Francisco Garcia, diretor do Global Cana e anfitrião do congresso, se juntaram a Rodrigues e Tejon para discutir os caminhos para o crescimento da cadeia sucroenergética.

O debate partiu das condições já reunidas pelo Brasil, como matéria-prima, conhecimento, indústria, tecnologia e experiência, e avançou sobre produtividade, políticas públicas, infraestrutura, investimentos e segurança jurídica. Tecnologia e ganhos de eficiência foram apontados entre os fatores necessários para ampliar a competitividade do setor.

A comunicação também entrou na discussão. A avaliação foi de que o setor precisa apresentar melhor à sociedade os resultados alcançados em áreas como sustentabilidade e energia renovável. Nesse contexto, publicidade e propaganda foram citadas como instrumentos para ampliar o conhecimento sobre o papel dos biocombustíveis e da agricultura brasileira dentro e fora do país.

Tejon trouxe a dimensão internacional ao relatar uma experiência na França. Ao demonstrar interesse por um trabalho sobre os caminhos da agricultura daquele país, ouviu de seus interlocutores que parte das referências analisadas vinha justamente do Brasil. O episódio expôs um contraste do agronegócio brasileiro. Experiências desenvolvidas no país servem de referência no exterior, enquanto parte desses avanços ainda é pouco conhecida pela própria sociedade brasileira.

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