Biorrefinaria de R$ 6 bilhões aguarda aval de acionistas no RS
Conversão da unidade deve ampliar demanda por insumos agrícolas e biocombustíveis
A Refinaria de Petróleo Riograndense (RPR), localizada em Rio Grande – RS, aguarda a aprovação de Petrobras, Braskem e Ultrapar para avançar com um investimento estimado em R$ 6 bilhões. A proposta prevê a conversão integral da unidade, considerada a primeira refinaria de petróleo do Brasil, em uma planta dedicada ao processamento de matérias-primas renováveis. A decisão dos acionistas é esperada até o final de outubro.
Os estudos técnicos e a documentação exigida pelas empresas foram concluídos e encaminhados para análise ao longo deste ano. Segundo informações publicadas pelo jornal A Hora do Sul, a expectativa é que a deliberação permita iniciar as obras de adaptação da estrutura industrial, inaugurada em 1937.
A nova configuração deverá permitir a fabricação de diesel renovável, gás liquefeito de origem renovável (Bio-GL) e bioaromáticos destinados à indústria química. As estimativas indicam potencial de redução de 65% a 80% nas emissões de gases de efeito estufa em comparação aos equivalentes fósseis.
Refinaria já possui autorização para processamento renovável
Em janeiro de 2026, a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) autorizou a Riograndense a processar continuamente cargas compostas exclusivamente por matérias-primas renováveis. A agência também permitiu a comercialização do Bio-GL, produto com características semelhantes às do gás liquefeito de petróleo (GLP), utilizado principalmente no abastecimento residencial.
A autorização representa uma etapa regulatória da transformação industrial, mas não substitui a decisão de investimento necessária para a conversão completa da unidade.
A refinaria já havia realizado testes com insumos vegetais. Em 2023, processou óleo de soja em uma operação com carga totalmente renovável, utilizando tecnologia desenvolvida pelo Centro de Pesquisas, Desenvolvimento e Inovação da Petrobras (Cenpes). Em fevereiro de 2025, novas experiências incluíram óleo de pirólise produzido a partir de biomassa de eucalipto.
Agronegócio poderá ampliar fornecimento de matérias-primas
O abastecimento da futura instalação deverá incluir óleo de soja, canola, carinata, óleo de cozinha usado e gorduras animais. A necessidade de insumos vegetais poderá favorecer a diversificação agrícola no sul do Rio Grande do Sul, especialmente pelo aproveitamento de culturas de inverno.
Além do aporte industrial, estimativas apontam que atividades ligadas ao agronegócio, à logística e aos serviços poderão movimentar entre US$ 1 bilhão e US$ 1,5 bilhão na região. O desenvolvimento dessa cadeia dependerá da estruturação do fornecimento e da capacidade de produção das matérias-primas.
O planejamento contempla uma segunda etapa voltada à fabricação de diesel verde (HVO) e combustível sustentável de aviação (SAF). Esses produtos são destinados a segmentos que buscam alternativas aos derivados de petróleo, especialmente no transporte rodoviário e aéreo.
A execução das obras deverá gerar entre 4 mil e 5 mil empregos diretos, segundo as estimativas divulgadas. A operação industrial também exigirá profissionais especializados, com possibilidade de ampliar a demanda por qualificação técnica na região.
Compartilhe este artigo:
Veja também:
Você também pode gostar
Confira os artigos relacionados: