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Diversificação de culturas reduz impacto de extremos climáticos

Plantas de cobertura melhoram o solo e dão estabilidade à produção

A diversificação de culturas e a manutenção do solo coberto ao longo do ano podem aumentar a resistência das lavouras a secas e excesso de chuvas. A conclusão é de uma pesquisa realizada no Rio Grande do Sul por pesquisadores do Centro de Estudos de Carbono em Agricultura Tropical da Universidade de São Paulo.

Os resultados, divulgados pela Agência FAPESP, mostram que áreas conduzidas com maior variedade de culturas e plantas de cobertura apresentaram produtividade até 76% superior à média estadual, além de maior estabilidade entre as safras. Nos sistemas mais simples, o rendimento ficou apenas 8% acima da média e apresentou oscilações mais acentuadas.

O trabalho avaliou três safras, entre 2022 e 2025, período marcado por condições climáticas contrastantes no Rio Grande do Sul. As safras 2022/2023 e 2024/2025 enfrentaram secas severas, com precipitações até 54% abaixo da média histórica. Em 2023/2024, o volume de chuva ficou 40% acima do normal.

Cobertura favorece armazenamento de água no solo

Segundo Maurício Roberto Cherubin, professor da Esalq USP e vice coordenador do CCARBON, manter plantas vivas e cobertura vegetal durante todo o ano favorece a atividade dos organismos presentes no solo. À Agência FAPESP, ele explicou que a diversificação contribui para a ciclagem de nutrientes, a fixação biológica de nitrogênio e a disponibilidade de fósforo para a cultura principal.

A pesquisa também identificou aumento da capacidade de armazenamento de água nos sistemas diversificados, independentemente do teor de argila. Parte desse efeito está associada à ação das raízes das plantas de cobertura, que ajudam a romper regiões compactadas e formam canais no perfil do solo.

Esses espaços facilitam a circulação de água e ar e também favorecem o desenvolvimento das raízes das culturas comerciais. Em períodos de estiagem, soja e milho, por exemplo, podem alcançar camadas mais profundas, onde há maior disponibilidade de umidade.

Os pesquisadores chegaram às conclusões a partir de 13 experimentos conduzidos em propriedades comerciais do Rio Grande do Sul. Foram avaliados sistemas com soja, milho, trigo e canola combinados a diferentes espécies de cobertura, entre elas aveias, centeio, triticale, milheto, ervilhaca, trigo mourisco e nabo forrageiro.

Eventos extremos ainda impõem limites ao manejo

A diversificação, porém, não elimina os efeitos de eventos climáticos de grande intensidade. Durante as enchentes registradas no Rio Grande do Sul em 2024, 44% dos produtores que utilizavam sistemas diversificados precisaram alterar o planejamento das lavouras.

Com o excesso de umidade e o atraso da colheita, parte deles deixou de implantar plantas de cobertura e optou pelo trigo comercial. O episódio mostrou que sistemas mais resilientes também podem sofrer mudanças de manejo diante de eventos extremos.

O estudo indica, contudo, que a diversidade vegetal pode funcionar como um mecanismo de proteção para sistemas de sequeiro, dependentes exclusivamente das chuvas. A combinação de diferentes raízes e a manutenção da atividade biológica favorecem a estrutura do solo e sua capacidade de armazenar água.

A pesquisa utilizou dados de 13 propriedades e 78 amostras de solo, avaliadas em aspectos químicos, físicos e biológicos. O trabalho foi desenvolvido a partir do mestrado de Viviana Meneghini, com apoio da FAPESP e orientação de Cherubin.

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