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Mercado de açúcar acompanha cenário da Índia e tarifas dos EUA

Ureia sobe pela terceira semana com retomada da demanda global

O mercado internacional de açúcar segue atento aos fatores que podem alterar o equilíbrio entre oferta e demanda nos próximos meses. As incertezas em torno da produção da Índia, somadas às novas tarifas impostas pelos Estados Unidos ao açúcar brasileiro, mantêm os agentes cautelosos e sustentam a volatilidade das cotações.

Ao mesmo tempo, o mercado de fertilizantes registra recuperação dos preços da ureia, impulsionada pela retomada da demanda global e pelas tensões no Oriente Médio.

Índia e tarifas ampliam atenção sobre o açúcar

Segundo Marcelo Di Bonifacio Filho, analista de Inteligência de Mercado da StoneX, o foco permanece nas perspectivas para a oferta global, especialmente diante das dúvidas envolvendo a Índia. Embora ainda não exista decisão oficial, o próprio setor sucroenergético indiano já discute a possibilidade de o governo autorizar importações de açúcar para conter a alta dos preços internos.

A movimentação é vista como um reflexo dos estoques mais apertados no país, da crescente destinação de cana para a produção de etanol e de duas safras abaixo do potencial. O cenário ainda pode ser agravado pela influência do fenômeno El Niño, que preocupa produtores e agentes do mercado.

Outro fator de atenção são as tarifas anunciadas pelos Estados Unidos sobre o açúcar brasileiro. Para Di Bonifacio Filho, a medida tende a reduzir a competitividade das exportações para aquele mercado, aumentando a disponibilidade do produto para outros destinos e, consequentemente, exercendo pressão sobre os preços internacionais.

Apesar das oscilações registradas nos últimos dias, o analista destaca que as cotações continuam sendo determinadas, principalmente, pelas expectativas em relação à oferta mundial e ao comportamento dos principais países produtores, mais do que por mudanças efetivas nos fundamentos de curto prazo.

Ureia reage com volta da demanda global

No mercado de fertilizantes, os preços da ureia nos portos brasileiros avançaram pela terceira semana consecutiva, acumulando alta de cerca de 8%. O movimento ocorre após um período prolongado de queda e reflete a retomada das negociações internacionais, combinada ao aumento das preocupações com a oferta global.

As tensões envolvendo o Irã, um dos principais exportadores mundiais de ureia, voltaram ao centro das atenções. O enfraquecimento das negociações diplomáticas e os riscos para a logística na região, especialmente no Estreito de Ormuz, reacenderam o temor de restrições no abastecimento internacional.

De acordo com Tomás Pernías, analista de Inteligência de Mercado da StoneX, o retorno dos compradores ao mercado ocorre justamente em um ambiente de maior incerteza.

“O aumento das negociações indica que parte dos compradores voltou ao mercado após o período de retração observado nos últimos meses. No entanto, essa recuperação acontece em um ambiente de maior incerteza, marcado por preocupações com a disponibilidade global do produto e com possíveis restrições logísticas na região do Oriente Médio”, afirma.

Para o Brasil, o momento coincide com uma fase estratégica de reposição de estoques antes da próxima safra. Ainda assim, apesar da recente valorização, a relação de troca permanece mais favorável do que no pico das cotações registrado no primeiro semestre. Atualmente, são necessárias menos de 35 sacas de milho para adquirir uma tonelada de ureia, patamar próximo da média dos últimos cinco anos.

Segundo Pernías, enquanto as relações de troca continuarem atrativas, o mercado deverá manter espaço para novas negociações. No entanto, a evolução do cenário geopolítico e da oferta global seguirá sendo determinante para o comportamento dos preços nas próximas semanas.

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