Usina da USP amplia produção de bioenergia e testa biofertilizantes na cana
Unidade transforma resíduos orgânicos em energia, biometano e insumos agrícolas
O Estado de São Paulo ganhou uma nova estrutura voltada à produção de energia renovável e insumos agrícolas com a inauguração, na terça-feira (30), da Usina de Bioenergia e Biofertilizantes do Instituto de Energia e Ambiente da Universidade de São Paulo (IEE/USP). A planta transforma resíduos orgânicos em eletricidade, biometano e biofertilizantes e já desenvolve pesquisas para aplicação desses insumos na cultura da cana-de-açúcar, aproximando a economia circular das necessidades do agronegócio.
Desenvolvido pela Universidade de São Paulo (USP) com apoio institucional da Secretaria de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística (Semil) e da Associação Brasileira do Biogás e do Biometano (ABiogás), o projeto foi concebido para demonstrar, em escala industrial e comercial, a viabilidade do aproveitamento energético de resíduos sólidos orgânicos. A unidade inicia a operação com capacidade para processar 25 toneladas por dia e possui licença para ampliar esse volume para 43,5 toneladas diárias.
Por meio da biodigestão, cada tonelada de resíduos gera entre 120 e 180 Nm³ de biogás, que pode ser convertido em eletricidade ou refinado para produção de biometano. A energia elétrica abastece a rede da própria USP e também é injetada no Sistema Interligado Nacional (SIN), enquanto o combustível renovável poderá ser destinado ao abastecimento de veículos movidos a Gás Natural Veicular (GNV) ou à rede de distribuição de gás.
Biofertilizante entra no radar da canavicultura
Além da produção de energia, aproximadamente 80% do material processado é transformado em digestato, biofertilizante rico em nutrientes. O produto está sendo avaliado em pesquisas conduzidas em parceria com a Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios (Apta), incluindo estudos para utilização em áreas cultivadas com cana-de-açúcar, além de experimentos com hortaliças em sistemas convencionais e hidropônicos.
Para a secretária de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística, Natália Resende, a usina fortalece a estratégia paulista de ampliar a participação das fontes renováveis na matriz energética. Segundo ela, São Paulo está próximo de alcançar uma matriz com quase 60% de fontes renováveis, índice superior ao de diversos países desenvolvidos, e o biometano ocupa papel estratégico nesse avanço.
O coordenador do projeto, Ildo Luís Sauer, destaca que a iniciativa também reduz os custos associados à destinação de resíduos orgânicos. Materiais antes encaminhados aos aterros passam a gerar energia, combustível renovável e fertilizantes, agregando valor econômico e ambiental. A implantação da unidade recebeu investimentos de aproximadamente R$ 10 milhões, provenientes principalmente da própria USP, de projetos financiados pela FAPESP, CNPq, Programa de Pesquisa e Desenvolvimento da Aneel e da Enel, além de cerca de R$ 3,5 milhões em equipamentos fornecidos pela empresa TPI.
Tecnologia pode ser replicada
A usina foi projetada em módulos, permitindo sua adaptação às necessidades de municípios, indústrias alimentícias, centrais de abastecimento e redes varejistas. O objetivo é reduzir o envio de resíduos orgânicos aos aterros sanitários, diminuir custos logísticos e ampliar a produção descentralizada de bioenergia, biometano e biofertilizantes.
A inauguração também reforça a liderança paulista no mercado de biometano. Atualmente, o Estado concentra nove das 19 plantas em operação no Brasil e poderá atingir ainda em 2026 capacidade instalada próxima de 1 milhão de metros cúbicos por dia. Segundo estimativas apresentadas pela USP, cerca de 300 unidades semelhantes seriam suficientes para processar todos os resíduos orgânicos domiciliares da cidade de São Paulo, enquanto aproximadamente 600 atenderiam toda a demanda do Estado e cerca de 3 mil plantas poderiam absorver a geração de resíduos orgânicos em todo o país.
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