Commodities agrícolas iniciam safra sob pressão e incertezas
Açúcar e etanol recuam, enquanto fertilizantes avançam em abril
O mercado de commodities agrícolas iniciou a safra 2026/27 com sinais distintos entre os principais produtos acompanhados pelo setor agroindustrial. Levantamento da FG/A mostra que açúcar e etanol registraram queda de preços em abril, enquanto fertilizantes avançaram no mercado internacional. Milho e soja encontraram suporte na demanda global, embora enfrentem pressões específicas no mercado doméstico.
No mercado de açúcar, a percepção de maior folga no balanço global e o início acelerado da moagem no Centro-Sul mantiveram pressão sobre as cotações. O contrato de maio de 2026 encerrou abril cotado a R$ 1.617 por tonelada, recuo de 15,2% em relação ao mês anterior. A safra 2025/26 foi encerrada com processamento de 611 milhões de toneladas de cana-de-açúcar, enquanto o novo ciclo começou em ritmo mais forte, com cerca de 20 milhões de toneladas moídas, alta de 19,7% na comparação anual.
Apesar do viés baixista de curto prazo, a FG/A destaca que a crescente probabilidade de ocorrência do El Niño pode limitar os dias disponíveis para moagem e reduzir a oferta em regiões produtoras da Ásia. Outro fator acompanhado pelo mercado é a possibilidade de parte das usinas ampliar a produção de etanol caso os prêmios negativos do açúcar persistam.
Oferta maior desafia mercado de biocombustíveis
O etanol hidratado também registrou forte correção em abril. O indicador do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) para o produto posto Paulínia encerrou o mês em R$ 2,41 por litro, queda de 20,2%. Segundo a consultoria, a redução não foi totalmente repassada ao consumidor, o que limitou o estímulo à demanda.
Para a safra 2026/27, a expectativa é de continuidade da pressão sobre os preços. A combinação de maior disponibilidade de cana, possível aumento do mix alcooleiro e a expansão da produção de etanol de milho devem ampliar a oferta do biocombustível. Nesse cenário, a FG/A projeta paridade média do hidratado próxima de 64% em relação à gasolina ao longo do ciclo.
Milho e soja encontram suporte externo
No mercado internacional, o milho avançou 1,1% na Bolsa de Chicago, encerrando abril cotado a US$ 4,61 por bushel. A sustentação veio da demanda aquecida para uso industrial e produção de biocombustíveis, em um cenário de estoques globais mais apertados.
No Brasil, porém, o cereal seguiu trajetória oposta. Em Campinas – SP, a cotação recuou 7%, para R$ 66,70 por saca, pressionada pelo avanço da colheita da primeira safra e pela necessidade de liquidez dos produtores durante o período de implantação da safrinha.
A soja também encerrou abril em alta no mercado externo, com valorização de 1,5% na Bolsa de Chicago, para US$ 11,77 por bushel. A recuperação foi impulsionada pelo óleo de soja, beneficiado pela demanda relacionada aos programas de biocombustíveis.
No Brasil, a colheita da safra 2025/26 alcançou 94,7% da área cultivada. As chuvas observadas anteriormente contribuíram para reduzir riscos adicionais à produtividade em grande parte das regiões produtoras, embora as perdas no Rio Grande do Sul já estivessem consolidadas em áreas mais avançadas.
Fertilizantes pioram relação de troca
Os fertilizantes apresentaram o movimento mais expressivo do mês. A ureia acumulou alta de 18,1% e o fosfato triplo superfosfato (TSP) avançou 17,9% no mercado internacional. Segundo a FG/A, a escalada dos preços foi influenciada pelas tensões no Estreito de Ormuz, rota estratégica para o comércio global de energia e insumos agrícolas.
A consultoria destaca que a ureia importada ainda apresenta defasagem de 33% em relação às cotações internacionais, o que pode abrir espaço para novos reajustes. Com isso, as relações de troca se deterioraram, especialmente para os nitrogenados. O indicador de troca entre milho e ureia atingiu o pior nível desde março de 2023, reduzindo o poder de compra dos produtores diante do aumento dos custos de produção.
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