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Novas variedades de cana chegam para ampliar opções no campo

Cultivares RB serão lançadas em julho com foco em produtividade

Três novas variedades RB de cana-de-açúcar desenvolvidas com participação da Universidade Federal de Alagoas (Ufal) serão apresentadas ao setor no dia 8 de julho, durante o 41º Simpósio da Agroindústria da Cana-de-açúcar de Alagoas, em Maceió. Os materiais chegam ao mercado com foco em maior produtividade, resistência a doenças, adaptação a diferentes ambientes de cultivo e melhor desempenho industrial.

As cultivares RB991532, RB0764 e RB07814 integram o grupo das 18 variedades RB liberadas nacionalmente pela Rede Interuniversitária para o Desenvolvimento do Setor Sucroenergético (Ridesa) em 2025. Desenvolvidas ao longo de anos de pesquisa, elas ampliam o portfólio de materiais disponíveis aos produtores e reforçam o papel do melhoramento genético no aumento da eficiência dos canaviais.

Segundo o professor Geraldo Veríssimo, um dos fundadores da Ridesa, o desenvolvimento das novas cultivares evidencia a contribuição da pesquisa pública para a evolução da canavicultura brasileira. “É um orgulho para a nossa instituição fazer parte desse processo. Isso demonstra nossa competência e responsabilidade, contribuindo para elevar os rendimentos agroindustriais e para a formação contínua de recursos humanos para o setor sucroenergético”, afirmou.

Variedades atendem diferentes perfis de produção

Cada uma das novas cultivares foi desenvolvida para atender condições específicas de cultivo. A RB991532 reúne alta produtividade agrícola, boa colheitabilidade, longevidade e resistência às ferrugens marrom e alaranjada, além do carvão. O material é recomendado para ambientes intermediários de produção, com colheita no meio da safra.

A RB0764 combina elevado potencial produtivo, boa brotação de socaria, uniformidade de colmos e adaptação tanto a áreas irrigadas quanto de sequeiro, principalmente em ambientes de maior potencial produtivo. Também apresenta resistência às principais ferrugens que afetam a cultura.

Já a RB07814 se destaca pela precocidade, alto teor de açúcar e longo período útil de industrialização. A cultivar apresenta ainda baixa cor de caldo, estabilidade produtiva e resistência ao carvão e à ferrugem marrom, podendo ser colhida no início ou no meio da safra.

De acordo com Veríssimo, o censo varietal de 2026 mostra que as variedades RB ocupam mais de 90% da área cultivada com cana em Alagoas. A expectativa é de que esse percentual aumente com a adoção das novas cultivares, especialmente da RB0764 e da RB07814, que já vêm sendo multiplicadas em áreas comerciais nos últimos dois anos.

Pesquisa fortalece a renovação varietal

O Programa de Melhoramento Genético da Cana-de-açúcar da Ufal é desenvolvido desde 1990 em parceria com empresas do setor sucroenergético e apoio da Fundepes. Um dos diferenciais está no banco de germoplasma localizado na Serra do Ouro, em Murici – AL, onde são realizados os cruzamentos que abastecem os programas de melhoramento das universidades integrantes da Ridesa.

Além da estrutura instalada em Alagoas, o programa mantém áreas experimentais em diferentes regiões produtoras, permitindo avaliar o desempenho das variedades sob distintas condições de solo, clima e manejo antes da recomendação para cultivo comercial.

A Ridesa reúne dez universidades federais e responde hoje por cerca de 56% da área cultivada com cana-de-açúcar no Brasil. Desde 1990, a rede desenvolveu 115 cultivares que, somadas às variedades originadas no antigo Planalsucar, totalizam 134 materiais RB disponibilizados ao setor ao longo de 55 anos de pesquisas.

Simpósio amplia debates sobre o futuro do setor

A liberação regional das novas variedades integra a programação do 41º Simpósio da Agroindústria da Cana-de-açúcar de Alagoas, realizado entre 7 e 10 de julho. Considerado um dos principais eventos técnicos do setor sucroenergético das regiões Norte e Nordeste, o encontro reunirá pesquisadores, produtores, usinas e empresas em mais de 50 palestras, painéis e debates.

Entre os destaques da programação estão as discussões sobre os impactos da safra 2026/27 nos mercados de açúcar e etanol, além de um painel dedicado à política de biocombustíveis no Brasil, com participação do deputado federal Arnaldo Jardim.

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