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EUA mantêm cota de açúcar, mas reduzem fatia inicial do Brasil

Tarifa adicional amplia pressão sobre exportações

Os Estados Unidos mantiveram para o ano fiscal de 2027 a cota tarifária mínima de importação de açúcar prevista nos compromissos firmados junto à Organização Mundial do Comércio (OMC). Embora o volume total tenha permanecido em 1,117 milhão de toneladas métricas em equivalente de açúcar bruto (MTRV), a distribuição inicial reservada ao Brasil foi reduzida para 100 mil toneladas, abaixo das 155,99 mil toneladas destinadas ao país no ciclo anterior.

O anúncio foi feito pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) e contempla o período de 1º de outubro de 2026 a 30 de setembro de 2027. Do total da cota, 1,061 milhão de toneladas já foi distribuído entre os países fornecedores tradicionais, enquanto 55,99 mil toneladas permanecerão em reserva para definição antes do início do novo ano fiscal.

Na distribuição inicial, a República Dominicana lidera com 189,34 mil toneladas, seguida pelas Filipinas, com 145,24 mil toneladas. O Brasil passou à terceira posição, com 100 mil toneladas, à frente de Austrália (89,29 mil toneladas), Guatemala (51,64 mil toneladas) e Argentina (46,26 mil toneladas). A redução ocorreu apenas na participação brasileira, enquanto o volume total da cota permaneceu inalterado.

Sistema protege mercado americano

O mecanismo conhecido como Tariff Rate Quota (TRQ) permite que determinado volume de açúcar seja importado com tarifa reduzida. As compras que excedem esse limite enfrentam tarifas significativamente mais elevadas, o que limita sua competitividade e preserva a produção doméstica norte-americana, ao mesmo tempo em que garante parte do abastecimento da indústria local.

Além do açúcar bruto, o USTR confirmou para 2027 uma cota de 22 mil toneladas de açúcar refinado. Desse total, 10,3 mil toneladas foram destinadas ao Canadá e 2,95 mil toneladas ao México. Outras 7,09 mil toneladas serão distribuídas pelo sistema de ordem de chegada (first come, first served), além de 1,66 mil toneladas reservadas aos chamados açúcares especiais.

Para os produtos industrializados que contêm açúcar, a cota foi mantida em 64,71 mil toneladas. Desse volume, 59,25 mil toneladas ficaram com o Canadá, enquanto 5,46 mil toneladas poderão ser acessadas pelos demais países pelo mesmo critério de ordem de chegada.

Competitividade segue pressionada

Apesar da manutenção do acesso mínimo ao mercado americano, o ambiente para as exportações brasileiras permanece mais restritivo. O açúcar não integra a lista de produtos isentos da tarifa adicional de 25% anunciada recentemente pelos Estados Unidos para parte das importações brasileiras. Com isso, o produto continua sujeito simultaneamente ao sistema de cotas e à sobretaxa, o que reduz sua competitividade em um dos mercados mais protegidos do mundo.

A expectativa agora recai sobre a redistribuição das 55,99 mil toneladas ainda não alocadas e sobre os desdobramentos das negociações comerciais entre Brasil e Estados Unidos, fatores que poderão influenciar o espaço disponível para o açúcar brasileiro ao longo do ano fiscal de 2027.

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