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Nematoides avançam no campo e desafiam manejo das lavouras

Diagnóstico precoce ajuda a reduzir perdas de produtividade

Presentes em diferentes regiões agrícolas do Brasil, os nematoides estão entre os problemas de solo que exigem atenção crescente dos produtores. Microscópicos, esses organismos atacam o sistema radicular das plantas e comprometem a absorção de água e nutrientes, com reflexos sobre o desenvolvimento e a produtividade das lavouras.

O problema atinge culturas como soja, milho, algodão, feijão e cana-de-açúcar. Entre as espécies de maior importância estão o nematoide-das-lesões-radiculares (Pratylenchus brachyurus), o nematoide-das-galhas (Meloidogyne spp.) e o nematoide-do-cisto (Heterodera glycines).

Uma das dificuldades está na identificação do ataque. Na parte aérea, os sintomas podem ser confundidos com deficiência nutricional ou estresse hídrico. Amarelecimento, menor desenvolvimento das plantas e manchas irregulares na lavoura, conhecidas como reboleiras, estão entre os sinais observados.

“O nematoide é um desafio de manejo porque, quando o produtor percebe os sinais visíveis na parte aérea da lavoura, a raiz já está severamente comprometida. Não se trata apenas de perder sacas na safra atual, mas de degradar o potencial produtivo das lavouras ao longo dos anos. Por isso, a mudança de postura para um manejo preventivo e integrado é urgente”, afirma Cibele Medeiros, mestre em Agronomia e gerente de Portfólio Biológico da Nitro.

Diagnóstico orienta manejo no campo

A análise nematológica de amostras de solo e raízes permite identificar as espécies presentes no talhão e estimar a densidade populacional. A partir dessas informações, o produtor pode definir as medidas mais adequadas para cada área.

O controle pode combinar diferentes práticas ao longo do ciclo produtivo, como uso de produtos biológicos, rotação com plantas de cobertura não hospedeiras, escolha de cultivares com baixo fator de multiplicação e higienização de máquinas e implementos agrícolas.

A limpeza dos equipamentos reduz o risco de transporte de solo contaminado entre talhões. Na entressafra, determinadas espécies de crotalárias e braquiárias também podem ser utilizadas para auxiliar na redução da população de alguns nematoides.

Outra ferramenta são os bionematicidas formulados com microrganismos, entre eles bactérias do gênero Bacillus e fungos nematófagos. Esses agentes podem atuar em diferentes fases dos nematoides e contribuir para a proteção do sistema radicular.

A escolha das medidas depende da espécie identificada e das condições de cada área. Como os danos começam nas raízes e nem sempre são percebidos de imediato na parte aérea, a identificação do problema antes do avanço da infestação tende a ganhar peso na definição do manejo das próximas safras.

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