Açúcar ganha espaço no mix diante de oferta global mais apertada
XP vê suporte para a commodity enquanto etanol tem oferta confortável
O mercado de açúcar mantém fundamentos mais favoráveis que o de etanol, com perspectivas de menor produção no Centro-Sul e oferta mais restrita em outros importantes produtores. A avaliação consta do Comentário Semanal Agro da XP, divulgado nesta segunda-feira (31), que aponta um balanço global ainda apertado para a commodity.
Segundo a XP, as negociações do açúcar em Nova York apresentaram sinais mistos na última semana. As fixações realizadas pelas usinas pressionaram as cotações no fim do período e podem continuar limitando parte do movimento de alta provocado pelas condições de oferta.
As expectativas para a primeira quinzena de agosto indicavam nova redução, na comparação anual, da produção de açúcar no Centro-Sul. O cenário externo também dá sustentação às cotações, com perspectivas de safras menores na União Europeia e na Índia.
Entre os fatores que podem reforçar esse quadro estão novas revisões negativas para a safra de beterraba na Europa e os efeitos do El Niño sobre o desenvolvimento das lavouras no Sudeste Asiático. A XP também cita como fator favorável a expectativa de menor produção de açúcar no curto prazo.
Açúcar disputa matéria-prima com etanol
A diferença entre as condições dos dois mercados volta a colocar o mix das usinas no centro das atenções. Para o etanol, as projeções da XP apontavam crescimento da produção no Centro-Sul na primeira metade de agosto, impulsionado principalmente pela atividade da indústria de etanol de milho.
A oferta do biocombustível permanece relativamente confortável no curto prazo, favorecida também pela estocagem. Por outro lado, uma reação sazonal da demanda doméstica pode contribuir para a recuperação dos preços do etanol.
A relação econômica entre os produtos, porém, passou a favorecer mais o açúcar. O relatório destaca que preços mais atrativos da commodity podem estimular as usinas a direcionar uma parcela maior da matéria-prima para sua fabricação nos próximos meses, movimento já considerado pela XP em seu cenário para a curva do mix.
Na semana anterior, a casa já apontava vantagem para o açúcar após a Índia permitir a importação de até 1 milhão de toneladas de açúcar bruto com tarifa zero. Na ocasião, a XP avaliava que a medida reforçava a percepção de oferta global apertada, enquanto o etanol mantinha boa competitividade no mercado brasileiro.
Grãos também encontram suporte no mercado externo
Nos grãos, a XP mantém uma avaliação favorável aos preços diante da demanda global e da possibilidade de novas revisões negativas para as safras dos Estados Unidos e da Europa. O conflito entre Rússia e Ucrânia também permanece no radar por seus efeitos sobre a logística no Mar Negro e os fluxos internacionais de trigo e milho.
No Brasil, entretanto, a grande disponibilidade de milho com a conclusão da colheita contribuiu para devolver parte da valorização recente dos preços. A XP também observou um mercado doméstico de soja menos aquecido.
Compartilhe este artigo:
Veja também:
Você também pode gostar
Confira os artigos relacionados: