Copersucar amplia descarbonização com etanol e biometano
Relatório aponta 30 milhões de tCO₂eq evitadas com etanol na safra 25/26
A Copersucar ampliou o uso de soluções renováveis e de logística de menor intensidade de carbono na safra 2025/26, período em que o etanol comercializado no Brasil e nos Estados Unidos evitou a emissão de 30 milhões de toneladas de CO₂ equivalente. O volume corresponde, segundo a companhia, às emissões anuais de mais de 14 milhões de veículos movidos a gasolina.
Os dados fazem parte da décima edição do Relatório de Sustentabilidade da Copersucar, divulgado na última semana e referente ao período entre 1º de abril de 2025 e 31 de março de 2026. O documento reúne indicadores ambientais, econômicos e sociais do ecossistema, que conecta 42 usinas no Brasil e mantém negócios em mais de 70 países.
Na temporada, a plataforma formada pelas usinas associadas respondeu pela moagem de 108 milhões de toneladas de cana. A Copersucar comercializou 17 milhões de toneladas de açúcar no Brasil e no exterior e 21 bilhões de litros de etanol nos mercados brasileiro e norte-americano. A estrutura inclui ainda 15 terminais, sendo três no Brasil e 12 nos Estados Unidos.
O avanço em energia renovável também ocorreu dentro das unidades produtoras. As usinas associadas geraram 6,5 mil GWh de eletricidade a partir de biomassa. Ao mesmo tempo, o biometano ganhou espaço tanto nas operações industriais quanto no transporte de produtos do setor sucroenergético.
Biometano substitui 6 milhões de litros de diesel
A companhia utilizou 6,5 milhões de metros cúbicos de biometano durante a safra, volume que substituiu 6 milhões de litros de diesel e evitou a emissão de 15 mil toneladas de CO₂ equivalente. A companhia também passou a atuar como comercializadora e distribuidora do combustível renovável no Brasil.
Uma das principais frentes foi a consolidação do BioRota, programa voltado ao uso do biometano no transporte rodoviário de cargas. No relatório, a Copersucar classifica a iniciativa como a maior operação de logística sustentável com esse combustível no país e destaca sua aplicação em escala comercial.
A estratégia de redução de emissões alcançou outros modais. Cerca de 60% do açúcar movimentado na safra foi transportado por ferrovias. Segundo os cálculos apresentados pela empresa, a utilização do modal ferroviário evitou 70 mil toneladas de CO₂ equivalente.
No etanol, 4,6 milhões de metros cúbicos foram escoados por sistemas dutoviários. A operação retirou o equivalente a 95 mil caminhões das áreas urbanas e evitou outras 88 mil toneladas de CO₂ equivalente, de acordo com o levantamento.
Novos mercados ampliam espaço para os biocombustíveis
A estratégia da companhia também passou pela busca de novas aplicações para o etanol. O relatório destaca o potencial do combustível em segmentos de difícil descarbonização, especialmente a navegação e a aviação, além de apontar o biometano como uma nova frente derivada da economia circular da cana.
Logo após o encerramento da safra, a Copersucar e parceiros realizaram o primeiro abastecimento, no Brasil, de um navio porta-contêineres transoceânico com etanol. A operação é tratada pela companhia como uma demonstração da possibilidade de ampliar o mercado do biocombustível brasileiro para o transporte marítimo internacional.
O relatório também contabiliza 6 milhões de Créditos de Descarbonização, os CBIOs, emitidos no período, equivalentes à mitigação de 6 milhões de toneladas de CO₂ equivalente. No mercado internacional, foram comercializados 227 mil créditos Bonsucro, resultado que, segundo a Copersucar, manteve a empresa como maior comercializadora mundial desse ativo.
Nos Estados Unidos, a venda de 250 mil certificados TERC, ligados à redução de emissões no transporte, correspondeu à mitigação de 250 mil toneladas de CO₂ equivalente. O conjunto de instrumentos amplia a participação da companhia nos mercados associados à descarbonização e à valorização de combustíveis de menor intensidade de carbono.
Açúcar e projetos sociais ampliam alcance do ecossistema
Além da transição energética, o documento relaciona a operação da Copersucar à segurança alimentar. Segundo a companhia, o açúcar comercializado globalmente durante a safra contribuiu para alimentar 500 milhões de pessoas. O ecossistema também respondeu por 190 mil empregos diretos e indiretos.
Na frente social, 123 projetos desenvolvidos no Brasil beneficiaram 1,4 milhão de pessoas. O relatório também registra ações ambientais e de prevenção a incêndios, além do compartilhamento de práticas de sustentabilidade entre as usinas associadas. As unidades adotam colheita mecanizada sem queima, conforme as práticas do setor e a legislação ambiental.
Na safra 2025/26, a Copersucar registrou receita de R$ 66,58 bilhões, ante R$ 61,83 bilhões no ciclo anterior. O valor adicionado bruto alcançou R$ 2,31 bilhões, frente a R$ 2,05 bilhões em 2024/25.
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