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Crédito rural exige mais controle e reforça uso de tecnologia

Novas regras ampliam monitoramento e análise socioambiental

As novas exigências para concessão e acompanhamento do crédito rural estão acelerando a adoção de ferramentas de inteligência territorial no sistema financeiro. Com a entrada em vigor das Resoluções CMN nº 5.267/2025 e nº 5.268/2025, bancos, cooperativas e demais agentes financeiros passaram a enfrentar um ambiente regulatório mais rigoroso, marcado pela necessidade de monitoramento contínuo das operações, rastreabilidade socioambiental e avaliação permanente de riscos.

As mudanças reforçam a exigência de comprovação das informações apresentadas pelos tomadores de crédito ao longo de todo o ciclo produtivo. Entre os mecanismos previstos estão o uso de sensoriamento remoto, imagens de satélite e sistemas capazes de acompanhar o desenvolvimento das atividades financiadas em tempo real. O objetivo é ampliar a segurança das operações e reduzir riscos associados a questões ambientais, climáticas e fundiárias.

Monitoramento ganha papel estratégico

Além de fortalecer o controle operacional, as novas normas ampliam os critérios socioambientais considerados na análise de crédito. Na prática, instituições financeiras precisam reunir informações territoriais, documentais e ambientais para verificar a conformidade das operações antes e depois da liberação dos recursos.

Segundo Rodolpho Mittelstaedt, gerente comercial da Agrotools, as resoluções representam uma mudança estrutural para o setor agropecuário. De acordo com ele, a tendência é de aumento da digitalização dos processos, da organização documental e da pressão por práticas alinhadas às exigências de sustentabilidade e governança.

Nesse cenário, cresce a demanda por plataformas capazes de consolidar dados de diferentes fontes e transformá-los em evidências técnicas auditáveis. A validação das operações deixa de depender exclusivamente de análises presenciais e passa a incorporar ferramentas digitais que acompanham a evolução das lavouras e das áreas financiadas ao longo do tempo.

Integração de dados reduz riscos

Entre as soluções disponíveis no mercado estão plataformas que utilizam imagens de satélite, séries temporais e cruzamento de bases territoriais para verificar informações relacionadas ao plantio, ao desenvolvimento das culturas e à compatibilidade entre a área financiada e a área efetivamente cultivada. A proposta é automatizar processos, ampliar a capacidade de monitoramento e reduzir custos operacionais das instituições financeiras.

Os sistemas também permitem a emissão de relatórios auditáveis, rastreabilidade por operação e integração com diferentes culturas agrícolas e atividades pecuárias. Com isso, bancos conseguem acompanhar grandes carteiras de crédito de forma mais eficiente, mantendo registros compatíveis com as exigências regulatórias atuais.

Atualmente, instituições financeiras como Itaú, Bradesco, Sicoob, Cresol e Rabobank já utilizam ferramentas de inteligência territorial para apoiar análises de crédito e automatizar critérios relacionados à conformidade socioambiental. A tendência é que esse tipo de tecnologia ganhe espaço à medida que as novas regras ampliem a necessidade de monitoramento contínuo e documentação das operações rurais.

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