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Prevenção a incêndios começa muito antes da fumaça

Todos os anos, quando o período seco se aproxima, voltamos a discutir incêndios. Para quem acompanha esse tema de perto, porém, a prevenção não começa em julho, nem quando os primeiros focos aparecem. Ela é construída durante todo o ano, com planejamento, manutenção, treinamento e, principalmente, conscientização.

Ao longo da minha atuação na área de sustentabilidade da Associação dos Plantadores de Cana do Oeste do Estado de São Paulo (Canaoeste), aprendi que combater incêndios vai muito além de apagar o fogo. A diferença entre um incidente controlado e uma ocorrência de grandes proporções quase sempre está nas decisões tomadas antes da emergência acontecer.

Grande parte dos incêndios registrados nas áreas agrícolas tem origem em fatores externos à atividade produtiva. Um cigarro descartado na rodovia, uma pane elétrica, uma queima irregular de resíduos ou até uma ação criminosa podem colocar em risco meses de trabalho, além de comprometer áreas de preservação, propriedades vizinhas, equipamentos e a segurança das pessoas.

Por isso, a preparação precisa envolver todos os elos da cadeia. Produtores rurais, usinas, equipes de campo, motoristas, moradores e órgãos públicos compartilham a responsabilidade de reduzir esses riscos. Quando cada um conhece seu papel, a resposta se torna mais rápida e eficiente.

Na prática, algumas medidas fazem diferença. Aceiros conservados, inspeção periódica de máquinas, revisão de sistemas elétricos, equipamentos de combate em condições de uso e equipes treinadas são exemplos de ações que muitas vezes passam despercebidas, mas que podem impedir que um pequeno foco se transforme em um grande incêndio.

Outro aprendizado importante é que nenhuma estrutura funciona sozinha. Os melhores resultados surgem quando existe integração entre empresas, produtores, Corpo de Bombeiros, Defesa Civil, Polícia Ambiental e demais instituições envolvidas. Essa articulação permite compartilhar informações, organizar protocolos e agir de forma coordenada quando cada minuto faz diferença.

Também ficou evidente, ao longo dos últimos anos, que a tecnologia passou a ser uma aliada indispensável. Na Canaoeste, o Programa SOS Incêndio reúne ferramentas de monitoramento e ações preventivas para apoiar os produtores rurais na redução dos riscos. O trabalho inclui o acompanhamento de focos de calor, orientações técnicas, capacitações práticas e o cumprimento de planos preventivos, permitindo uma resposta mais rápida diante de ocorrências e fortalecendo a proteção das áreas de cultivo e de preservação. Ainda assim, nenhuma tecnologia substitui a atenção e a responsabilidade de quem convive diariamente com esse cenário.

É justamente por reconhecer essa realidade que iniciativas de conscientização continuam sendo fundamentais. Campanhas educativas, treinamentos e encontros técnicos mantêm o tema em evidência e reforçam que prevenir incêndios depende de uma mudança permanente de comportamento, não apenas durante os meses mais secos do ano.

Nesta sexta-feira (3), participaremos do lançamento da 12ª edição da Campanha de Conscientização, Prevenção e Combate aos Incêndios, promovida pela Associação Brasileira do Agronegócio da Região de Ribeirão Preto (ABAG/RP), usinas, produtores rurais e Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar). O encontro representa mais uma oportunidade para compartilhar experiências, discutir estratégias de prevenção e fortalecer a integração entre as instituições que atuam na proteção das áreas rurais.

Fábio de Camargo Soldera

Gestor de Sustentabilidade da Associação dos Plantadores de Cana do Oeste do Estado de São Paulo (Canaoeste).

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