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Mercado de açúcar acompanha decisão dos EUA e riscos à oferta

Tarifas, clima e produção entram no radar da safra 2026/27

O mercado internacional de açúcar atravessa um período de espera por definições que podem influenciar a formação dos preços na safra mundial 2026/27, que tem início em outubro. Além das incertezas relacionadas à produção nos Estados Unidos, compradores acompanham o desfecho de uma investigação comercial conduzida pelo governo americano.

As informações constam do Relatório de Adoçantes da Sosland Publishing, divulgado pela Czarnikow. O documento aponta um mercado físico relativamente estável nas últimas semanas, mas atento a fatores capazes de alterar o equilíbrio entre oferta e demanda.

Política comercial concentra atenções

O principal foco está na investigação da Seção 301, conduzida pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR). O processo avalia se determinados países estariam ampliando a produção de commodities por meio de subsídios governamentais considerados desleais.

Representantes da indústria açucareira e do governo norte-americano defendem que o açúcar seja incluído entre os produtos alcançados pela investigação. Caso isso ocorra, o governo poderá adotar tarifas adicionais sobre importações que ultrapassem as cotas previamente estabelecidas para os países exportadores.

Enquanto a decisão não é anunciada, compradores que ainda não fecharam contratos para 2026/27 mantêm postura cautelosa. A atividade no mercado à vista segue limitada, com preços praticamente inalterados nas últimas semanas.

Clima amplia preocupação com a produção

Além da política comercial, o mercado monitora o desenvolvimento das lavouras de cana-de-açúcar nos Estados Unidos. Na Louisiana, a classificação das áreas em condições boas ou excelentes recuou de 66% para 53% em apenas uma semana, atingindo um dos menores níveis para o período nos últimos anos.

As chuvas acumuladas chegaram a cerca de 300% acima da média histórica, deixando o solo saturado e aumentando o risco de perdas de produtividade e redução do teor de açúcar da cana.

Na Flórida, produtores ainda avaliam os impactos das geadas registradas no início do ano. Embora parte do setor estime que até 35% da safra tenha sido afetada, o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) reduziu sua projeção oficial de produção em 4,8% na comparação com a estimativa divulgada em janeiro.

Entre as áreas produtoras de beterraba sacarina, o cenário permanece relativamente estável. O Colorado segue apresentando as condições mais desfavoráveis, apesar de registrar melhora em relação à semana anterior, enquanto estados como Minnesota, Dakota do Norte, Idaho, Michigan e Wyoming mantiveram índices considerados satisfatórios.

Decisão judicial reduz risco à demanda

Pelo lado do consumo, uma decisão da Justiça americana trouxe alívio ao mercado. Um tribunal federal rejeitou pedidos apresentados pelo USDA para restringir a compra de alimentos e bebidas considerados não saudáveis pelo Programa de Assistência Nutricional Suplementar (SNAP) em cinco estados.

A medida evita, ao menos por enquanto, limitações à aquisição de produtos como doces e bebidas açucaradas por beneficiários do programa, reduzindo o risco de impacto imediato sobre a demanda doméstica.

No mercado americano de adoçantes derivados do milho, as operações seguem dentro da normalidade. A expectativa dos agentes é que as negociações dos contratos anuais para 2027 tenham início no fim de agosto.

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