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Agricultura digital amplia espaço entre pequenos produtores

Tecnologia melhora o manejo e a gestão no campo

A agricultura digital deixou de ser uma realidade exclusiva das grandes propriedades e avança entre pequenos e médios produtores brasileiros. Pesquisa realizada pela Embrapa, Sebrae e INPE mostra que 84% dos produtores rurais já utilizam algum tipo de tecnologia digital no campo. O levantamento revela ainda que 72% dos participantes cultivam áreas de até 50 hectares, indicando que ferramentas de monitoramento, irrigação e análise de dados estão cada vez mais acessíveis para diferentes perfis de produtores.

Segundo Danilo Silva, gerente agronômico da Netafim, a percepção de que a digitalização exige grandes investimentos ainda existe, mas vem perdendo força à medida que as soluções se tornam mais acessíveis. Recursos como monitoramento da umidade do solo, acompanhamento climático e uso de dados para orientar a irrigação permitem decisões mais precisas e ganhos de eficiência em propriedades de diferentes portes.

“As ferramentas de agricultura digital ajudam o produtor a compreender melhor as condições da lavoura e agir com mais assertividade. Entre as aplicações mais comuns estão o monitoramento da umidade do solo, o acompanhamento climático e o uso de dados para orientar o manejo da irrigação”, afirma.

Decisões mais precisas

O uso de informações sobre clima, solo e planta reduz a dependência da experiência empírica e torna o manejo mais eficiente. Com isso, o produtor consegue otimizar recursos, reduzir desperdícios e aumentar a produtividade.

A pesquisa mostra que 66,1% dos produtores utilizam tecnologias digitais para obtenção de informações e planejamento, enquanto cerca de 43% já empregam essas ferramentas na gestão da propriedade. Em contrapartida, apenas 16% utilizam sensores de campo e somente 6% contam com sistemas automatizados ou robotizados, indicando que a automação ainda representa a próxima etapa da transformação digital no agro.

Na irrigação por gotejamento, os resultados costumam aparecer logo nos primeiros ciclos de utilização. “O principal ganho é a melhor gestão da água. Com monitoramento, o produtor passa a irrigar com mais precisão, evitando tanto o excesso quanto a falta de água”, destaca Silva.

Além da economia de recursos, o especialista ressalta que a digitalização oferece maior segurança para a tomada de decisão. “O produtor fica mais confiante porque sabe que está baseado em dados, não apenas na percepção.”

Expansão e desafios

Para Silva, o principal obstáculo para ampliar o uso da agricultura digital já não é o investimento financeiro, mas o acesso à informação e à orientação técnica para utilizar corretamente as ferramentas disponíveis.

Segundo ele, hoje existem soluções escaláveis para diferentes níveis de investimento, permitindo que produtores iniciem com estruturas mais simples e ampliem a tecnologia conforme a necessidade da propriedade. Plataformas voltadas ao monitoramento da irrigação e da fertirrigação já atendem áreas a partir de um hectare, dependendo da cultura.

A expansão dessas tecnologias também alcança regiões que até pouco tempo enfrentavam maiores limitações de infraestrutura. As plataformas digitais da Netafim estão presentes em 14 estados brasileiros, incluindo áreas do semiárido, agricultura familiar e polos de fruticultura. Ainda assim, a conectividade segue como desafio: apenas 33,9% da área agropecuária brasileira possui cobertura parcial ou total de redes 4G ou 5G.

Para o gerente agronômico, a tendência é que a agricultura digital se torne cada vez mais presente na rotina das propriedades rurais. A combinação entre tecnologias de monitoramento e análise de dados deve ampliar a eficiência do manejo, aumentar a produtividade e fortalecer a sustentabilidade da produção agrícola.

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