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Etanol amplia espaço no mercado de combustíveis e sustenta demanda

Consumo do hidratado deve crescer 6,97% em 2026 e avançar mais 5,64% no próximo ano

O etanol hidratado deve seguir como principal vetor de crescimento do mercado brasileiro de combustíveis leves nos próximos dois anos. Projeções da StoneX indicam consumo de 22,72 milhões de m³ em 2026, alta de 6,97% sobre o ano anterior. Em 2027, o volume pode chegar a 24 milhões de m³, avanço de 5,64%.

Com esse desempenho, a participação do biocombustível no Ciclo Otto deve passar de 24,96% em 2026 para 25,89% no próximo ano. O hidratado responderá por cerca de 47% do aumento da demanda neste ano e por 76% da expansão projetada para 2027.

O avanço ocorre apesar da perda recente de competitividade nas bombas, após a alta dos preços registrada entre setembro e outubro. Segundo a StoneX, o etanol ainda apresenta perspectiva de crescimento superior à da gasolina e deve ampliar sua presença em todas as regiões brasileiras no próximo ano.

No conjunto, o consumo do Ciclo Otto, calculado em gasolina equivalente, deve atingir 63,72 milhões de m³ em 2026, crescimento de 3,57%. Para 2027, a projeção é de 64,90 milhões de m³, com avanço mais moderado de 1,85%.

Mobilidade mantém demanda em nível elevado

A estimativa para este ano considera o crescimento de 3,91% do mercado acumulado até setembro. A mobilidade rodoviária permanece em patamar elevado e as vendas de veículos também ajudam a sustentar o consumo de gasolina e etanol.

Até setembro, foram emplacados 1,5 milhão de veículos do Ciclo Otto, entre modelos a gasolina e flex, aumento de 6,4% na comparação anual. No mesmo período, as vendas de eletrificados alcançaram 433,9 mil unidades.

Para o último trimestre, a StoneX prevê consumo de 16,92 milhões de m³ em gasolina equivalente, alta de 2,64% sobre igual período de 2025. A expectativa é de queda de 0,89% para a gasolina C e crescimento de 14,24% para o etanol hidratado.

No acumulado até setembro, o consumo de hidratado somou 16,44 milhões de m³, avanço de 4,43%. O movimento ganhou força em agosto e setembro, quando as altas chegaram a 21,12% e 15,74%, respectivamente.

Gasolina perde ritmo diante do avanço do hidratado

Para a gasolina C, a projeção aponta consumo de 47,81 milhões de m³ em 2026, crescimento de 2,48%. Em 2027, o volume deve ficar praticamente estável, em 48,10 milhões de m³, alta de apenas 0,59%.

A desaceleração esperada para o próximo ano também está relacionada ao cenário econômico. A estimativa de mercado para o crescimento do Produto Interno Bruto em 2027 caiu de 1,80%, no fim de março, para 1,32% na leitura mais recente considerada pela StoneX.

As políticas públicas para os combustíveis também permanecem no radar. Mudanças nos benefícios concedidos à gasolina e ao etanol podem alterar a competitividade entre os produtos e, consequentemente, a composição da demanda ao longo de 2027.

Regionalmente, Nordeste e Sul devem registrar os maiores avanços do etanol hidratado em 2026, com altas projetadas de 19,56% e 15,45%. No Sudeste, principal mercado do biocombustível no país, a participação deve aumentar 0,58 ponto percentual e alcançar 35,25%.

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