E32 e CBios ganham espaço no mercado de biocombustíveis
Produção de etanol chega a 4,02 bilhões de litros e CBios avançam em julho
A ampliação da mistura obrigatória de etanol anidro na gasolina e o avanço do mercado de créditos de descarbonização reforçaram o peso dos biocombustíveis no cenário energético brasileiro. Em junho, a produção nacional de etanol somou 4,02 bilhões de litros, enquanto os CBios alcançaram em julho 90,5% da meta anual estabelecida pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis, a ANP.
Os dados constam do Informe de Óleo & Gás e Biocombustíveis de julho de 2026, da Fundação Getulio Vargas. O levantamento também destaca a mudança na mistura de etanol anidro à gasolina, que passou de 30% para 32% em 1º de agosto. A medida foi aprovada pelo Conselho Nacional de Política Energética, o CNPE, com base na Lei do Combustível do Futuro.
A adoção do E32 amplia a participação do etanol no consumo de combustíveis do país e tende a elevar a demanda por anidro. O movimento ocorre em um mercado doméstico que mantém crescimento nas vendas de gasolina, diesel e etanol, mesmo diante das incertezas provocadas pelo cenário internacional.
O desempenho dos CBios também mostra o avanço da política de descarbonização. Ao atingir 90,5% da meta anual da ANP ainda em julho, o mercado de créditos se aproxima antecipadamente do volume previsto para o ano. Os títulos são utilizados no âmbito do RenovaBio para comprovar o cumprimento das metas de redução de emissões atribuídas aos distribuidores de combustíveis.
Petróleo mais caro favorece debate sobre segurança energética
A maior participação dos biocombustíveis ocorre em meio ao aumento das tensões geopolíticas no Oriente Médio. Segundo o informe, a retomada das hostilidades entre Estados Unidos e Irã elevou os riscos sobre rotas estratégicas para o transporte mundial de energia, especialmente os estreitos de Ormuz e Bab al Mandeb.
As novas estimativas da Agência Internacional de Energia apontam restrição de 8,3 milhões de barris por dia na oferta global de petróleo proveniente dos países do Golfo Pérsico. O quadro levou a revisões nas projeções de oferta e demanda e aumentou a percepção de que o mercado continuará sujeito a oscilações enquanto persistirem os conflitos na região.
Para o Brasil, a combinação entre maior participação do etanol na gasolina e instabilidade no mercado internacional de petróleo coloca os biocombustíveis em posição relevante também do ponto de vista da segurança energética. O país amplia o consumo de uma fonte produzida internamente justamente em um período de maior risco para a oferta internacional de combustíveis fósseis.
Ao mesmo tempo, a produção brasileira de petróleo continua crescendo. O volume chegou a 4,47 milhões de barris por dia em junho, alta de 4% na comparação com maio. O pré sal permaneceu como principal responsável pela expansão, com o campo de Búzios na liderança da produção nacional.
A produção de gás natural alcançou 217,35 milhões de metros cúbicos por dia e completou o quinto mês consecutivo de crescimento.
Biometano também amplia participação na matriz
Além do etanol, o biometano manteve trajetória de expansão. A produção brasileira chegou a 15,9 milhões de metros cúbicos em junho, volume próximo do dobro do registrado no mesmo período de 2025. O crescimento amplia a presença de combustíveis renováveis em segmentos que buscam alternativas para reduzir emissões.
O avanço simultâneo do etanol, do biometano e dos CBios ocorre enquanto o Brasil aumenta sua própria produção de petróleo e gás. Esse cenário diferencia o país de mercados mais dependentes da importação de energia e amplia as alternativas disponíveis para atender à demanda doméstica.
Nos próximos meses, o comportamento do mercado de etanol deverá refletir os primeiros efeitos do E32 sobre a demanda por anidro. Para o setor sucroenergético, a evolução desse consumo e dos preços relativos entre etanol, gasolina e açúcar será determinante para as decisões de produção das usinas, enquanto o mercado de CBios caminha para completar a meta anual da ANP.
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